23/04/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Palestras Tags:, , , , , , ,

A DISCIPLINA NO LAR

“Toda disciplina, com efeito, no momento  não parece  motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça”.- Hebreus 12:11

I – TIPOS DE AUTORIDADE

  1. PERMISSIVA   –  permite que todas as vontades do filho se realizem.  Os filhos se tornam déspotas, grosseiros, exigentes, caprichosos e pueris.
  2. CORRUPTORA –  forma mais imoral de autoridade: é aquela que compra a criança e a manobra através de trocas (se ficar bonzinho eu te dou um presente…)  As crianças se tornam instáveis, irresponsáveis e inconscientes.
  3. AFETUOSA – Lança mão de chantagens emocionais (você ainda me mata!…)   Ela  torna a   criança fingida, egoísta e cínica.
  4. RACIOCINADORA –  Aquela que enche os filhos com palavras, raciocínios e sermões que eles não podem compreender.  É prejudicial numa época em que a criança vê as coisas emocionalmente, de maneira simples.
  5. PEDANTE –  É aquela em que os pais se colocam longe dos filhos, incapazes de dialogar com eles, não respeitando a sua idade ou a sua individualidade.
  6. DISTANTE – É aquela que intervém apenas de quando em quando, inclusive através de intermediários.  Os filhos se tornam afetivamente frios e inseguros.
  7. OPRESSIVA – A mais terrível – é aquela que anula a personalidade dos filhos, que os sufoca através de gritos, ordens inquestionáveis, ameaças, maus tratos e grosserias.  Esse tipo de autoridade torna os filhos mentirosos, covardes, imaturos, inseguros e angustiados.

II – OBJETIVOS DA DISCIPLINA

  1. AUTO-DOMÍNIO – Ensina a criança o governo de si mesma. Ensina autoconfiança e auto-direção. Obediência.
  2. VONTADE DE CORRIGIR – SE – Levar a criança com  amor a ter este desejo.
  3. RESPEITO Á AUTORIDADE – A  obediência na infância leva a criança a respeitar a autoridade paterna e divina.  A criança aprende a obedecer por princípio  e não por obrigação. “Quando os  pais deixam de ter autoridade sobre os filhos é porque deixaram também de obedecer à autoridade de Deus e da sua Palavra”.
  4. MOSTRAR CONFIANÇA NOS FILHOS – A criança precisa sentir que os pais confiam nelas. A criança tem senso de honra.  Seus direitos devem ser respeitados.  As crianças correspondem às expectativas dos pais, por isso os pais têm que dizer-lhes o que espera deles e confiar neles.

III – ESTABELECIMENTO DE LIMITES –

  • As crianças precisam conhecer os limites para terem disciplina.  O “não”  deve ser dito  num espírito de bondade e não com raiva.
  • Ameaçar castigo e não cumprir incentiva o desrespeito aos pais e a qualquer autoridade.  O estabelecimento de limites é necessário à autoridade e à segurança.
  • Os limites devem ser estabelecidos  pelos pais juntos, para não haver ambivalência.  Se os pais discordam entre si as crianças vão aprender a jogar um contra o outro.
  • Os limites devem ser cuidadosos, inteligentes e razoáveis.  Devem ser estabelecidos de acordo com a idade e a necessidade da criança.

IV –  A DISCIPLINA NO LAR

        A –  RESPONSABILIDADE

  • Os pais são responsáveis pelos filhos; os negligentes serão responsabilizados por isso.  Os filhos têm obrigação de obedecer aos pais.
  • Os pais precisam ensinar “responsabilidade” aos filhos (ordem nas tarefas diárias, horários para refeição, banho, estudo, etc.)
  • Os pais devem ser imparciais para que a criança não se sinta rejeitada, isso influi na formação do autoconceito negativo da criança, pois  ela   tem um senso de justiça e percebe as falhas dos pais.
  • Bom exemplo dos pais.  Discussões e desavenças no lar formam crianças inseguras e insatisfeitas.
  • Ensinar a criança a submeter a sua vontade à vontade de seus pais.  Para isso é necessário imparcialidade e firmeza desde as primeiras manifestações de obstinação da criança.

      B –  MODERAÇÃO E EQUILÍBRIO –

  • A criança aceita a disciplina coerente porque gosta de estabilidade e segurança.  A falta de disciplina causa insegurança. A disciplina deve ser usada moderada e equilibradamente.
  • A disciplina rígida conduz a criança à insegurança, timidez, fobias, tendências à depressão,  sadismo, etc.  A autoridade excessiva torna a criança incapaz de pensar e agir por si mesma.  Quando sozinha não tem estabilidade de caráter.  A criança que desenvolve independência e autonomia de forma correta sabe proceder corretamente por si mesma quando estiver longe dos pais.
  • Um ambiente de alegria, afeto, paz e harmonia favorecerá a aplicação da disciplina.  Geralmente os pais erram muito na educação do primogênito.  Se errou com o primeiro procure acertar com os outros.

    C –  FIRMEZA E BONDADE

  • A disciplina exige habilidade e esforço paciente dos pais.  É necessário firmeza e decisão.  A correção deve ser razoável, levando-se em conta a idade da criança e o tipo de falta cometida.
  • Antigamente os filhos eram sujeitos aos pais; hoje os pais estão sujeitos aos filhos.  Houve um inversão de valores… Os pais temem contrariar  a vontade dos filhos e cedem sempre, mas enquanto os  filhos estiverem sob o teto paterno devem obediência aos pais.
  • A firmeza e a  bondade devem ser utilizadas sempre, mas deve haver respeito à individualidade dos filhos.

    D  – EVITAR A PERMISSIVIDADE

  • A permissividade gera agressão que não pode ser controlada; transforma a criança numa pessoa tímida, sem iniciativa e incapaz de lutar por seus ideais, e pode apresentar as seguintes características:
  • Inferioridade
  • Falta de confiança
  • Sentimento de culpa (“ninguém gosta de mim”)
  • Curva-se diante das opiniões e decisões dos outros
  • Finge o que não é para impressionar os outros.
  • O verdadeiro amor não é condescendente, pois  liberdade demasiada faz filhos pródigos.  Quanto maior a condescendência mais difícil o posterior controle.  Muita transigência causa descontentamento.  Os pais não devem ceder à adulação e não dar demasiado crédito às palavras da criança fantasiosa.  Por isso os pais devem ser o espelho da criança.

                   E – COMO CORRIGIR

  • Corrigir com paciência e não com ira.  Exigir obediência, mas pedindo sempre a orientação de Deus.
  • Não se desculpar pelo nervosismo… Pais cansados e fatigados não conseguem manter um espírito calmo e manifestam intolerância, que desagrada a Deus.
  • Em caso de irritação os pais devem policiar duas vezes mais, pois assim exercitam o autodomínio que é um dos objetivos da disciplina.
  • Muitos pais jogam a culpa nos filhos, mas a falta está dentro dos próprios pais..
  • As vezes uma boa jogada  é o silêncio: quando estiver nervoso não fale nada.  Nunca diga “Não posso mais com você”, ore por seu filho.
  • Pais devem  unir-se na disciplina.  Se os pais ou a mãe, com o olhar , não aprova a correção que o outro está dando, a criança perceberá e fará o seu jogo daí para a frente.
  • Dar poucas ordens e exigir obediência.  Não exigir apenas para exibir sua autoridade.
  • Coerência na disciplina: um dia passam por cima, no outro dia exigem  demais.
  • Considerar as diferenças individuais das crianças. Por isso a disciplina tem que ser exercida diferentemente  para alcançar êxito.  Um filho esquece depressa; o outro nunca esquece.
  • Usar reforços  positivos: em vez de apontar sempre o malfeito, apresente as qualidades boas da criança.  Dê ordens positivas: “Vamos guardar os brinquedos?”
  • Algumas vezes a punição é necessária, mas ‘NÃO FAZER USO DELA SE PUDER EVITAR’
  • A criança que apanha sempre vai precisar apanhar para obedecer.  Aprenderá a ser agressiva com os próprios pais.  A disciplina deve ser exercida através do diálogo, da repreensão, do castigo e do olhar, lembrando sempre que “A MELHOR EDUCAÇÃOOO É O BEIJO CERTO E A PALMADA CERTA, NO LUGAR CERTO E NA HORA CERTA”

 

CONCLUSÃO  –

  • “Eu repreendo e disciplino a quantos amo…” – Apoc. 3:19
  • “Pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor”. – Efésios 6: 4
  • Estamos dando este treinamento aos nossos filhos?- Como pai, estou gastando mais tempo com eles do que cuidando  do carro, do jardim, lendo jornal, vendo televisão, etc?
  • Como mãe, estou gastando mais tempo com a arrumação da casa, preocupando-me com o emprego, indo ao cabeleireiro, ou ao shopping, ou ao clube, do que dando atenção aos meus filhos?
  • O   que está em primeiro lugar na nossa casa?
  • Até que ponto seguimos nossos próprios conselhos?
  • Quantas das ordens que damos aos nossos filhos nós cumprimos em nossa vida
  • Viver de acordo com o que aconselhamos é o meio mais eficaz de educar  o filho.  O exemplo fala mais alto que as palavras.
  • “Nossos filhos vivem na atmosfera das influências silenciosas das nossas vidas que são muito mais poderosas que nossos ensinamentos”.

BIBLIOGRAFIA

PETERSEN, J.A – Filhos precisam de Pais . Ed. FIEL – 1980

ERB, A.M.    – Criar filhos não é brincadeira – Ed. Betania , 1947

KEMP, J.   –Sua família pode ser melhor – Ed. S.C. 1982

DOBSON, J.  – Ouse disciplinar – Ed. Vida – 1970

TELLES,  M.L. – Uma introdução à psicologia da educação

 

Palestra: A DISCIPLINA NO LAR

Proferida em 26/04/1996

Local: Encontro de Pais do Colégio Batista de BRÁSÍLIA

Palestrante: Ilma Vieira Silva/Psicóloga

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