09/12/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Criança, Jovem Tags:, ,

A IMPORTÂNCIA DO PAI

Recentemente tem havido um grande interesse no papel do pai no desenvolvimento da criança. Existem 3 razões para isso:

  1. Teóricos contemporâneos refletem a tradicional ênfase dada à cultura que enfatiza o papel da mãe. Isso foi tão reforçado que muitos pesquisadores chegaram a perguntar: “Será que o papel do pai é irrelevante na formação da personalidade da criança?”
  2. A segunda razão para o crescente interesse no papel do pai está relacionado com a desintegração da família na sociedade contemporânea.
  3. A terceira razão é que sempre se presumiu que a criança desempenhasse papel passivo e receptivo na interação social, mas os cientistas descobriram que o mundo social da criança é muito mais complexo do que se pensava, pois a ligação afetiva da criança não está só ligada à mãe, mas ao pai também.

Assim o papel do pai na família é importante em todas as áreas do desenvolvimento infantil e da sua personalidade.

Antigamente a mulher ficava confinada ao lar e toda a responsabilidade de criar os filhos educa-los e resolver problemas domésticos era sua responsabilidade.

Atualmente a mulher sai para trabalhar durante o mesmo período de tempo que o homem. É justo que as responsabilidades sejam divididas e que os pais saibam qual é a sua parcela de responsabilidade na estruturação da personalidade da criança.

O papel do pai começa no dia do casamento, quando forma o novo lar. “Portanto deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e serão ambos uma só carne”. O homem tomará a responsabilidade de sustentar sua própria família sem depender de seu pai ou sua mãe. “Serão uma só carne não apenas no sentido da união de corpos, mas deverão ser unidos num só pensamento, numa só decisão. Da união do casal vai depender a unidade da família. A união e o acordo formam o alicerce básico na construção da vida familiar.

I – O PAPEL DO PAI NO EXERCÍCIO DA DISCIPLINA E DA AUTORIDADE

  • Não dar a criança tudo o que ela quer, não satisfazer todas as vontades;
  • Ser firme nas ordens, mas com amor;
  • Ensinar a criança a ouvir e respeitar os mais velhos;
  • Observar e aceitar as diferenças individuais;
  • Aprovação e desaprovação de atitudes para a formação de auto-imagem positiva na criança;
  1. a) Rejeição: forma negativa de reação;
  2. b) Superproteção: impede o desenvolvimento, porque a criança não aprende a enfrentar a realidade. Fica impedida de amadurecer e se torna instável emocionalmente;
  3. c) Liberdade para ser independente.

A criança que tem desenvolvimento emocional satisfatório está apta para:

  1. Ajustar-se de forma amadurecida à sociedade sem ser dominada por ela;
  2. Relacionar-se efetivamente com outro sem ser dependente;
  3. Encontra satisfação no trabalho e no lazer.

II – PAPEL DO PAI NA HARMONIA DO CASAMENTO

A harmonia depende de EQUILÍBRIO em todas as atividades da vida. O pai, como marido é cabeça do lar, o administrador, é o que planeja para o futuro. É também o responsável para determinar os padrões piedosos para o lar e dar o exemplo. Como pai é responsável também pelos limites e pelos princípios que vão governar o lar.

O pai deve demonstrar aos filhos que pai e mãe se amam e estão em acordo em dirigir o lar. Evitar contradição nas ordens dadas.

O pai intempestivo, descontrolado, que grita sem coerência, leva os filhos a odiá-lo como pai e marido, como você conduz o seu lar? É coerente? Tem um gênio equilibrado? Age de comum acordo com sua esposa? Seguem a mesma orientação e os mesmos princípios? A relação harmoniosa influenciará os filhos no lar e na vida fora do lar.

III – O PAPEL DO PAI NA IDENTIFICAÇÃO DOS FILHOS

Pesquisas tem demonstrado que as crianças se ligam mais afetivamente à mãe por causa do tempo que a mãe gasta com a criança. Porém as pesquisas mais modernas indicam que a quantidade de tempo gasto é um pobre preditor da qualidade da relação com o pai ou com a mãe. Isto é demonstrado pelo fato de que mães que precisam trabalhar fora separando-se diariamente da criança, não prejudica a ligação afetiva mãe-filho. Isso se aplica também à relação pai-filho.

O que é mais importante é a qualidade da interação e a sensibilidade dos pais aos sinais da criança. Poucas horas de interação prazerosa podem contribuir mais para a formação de fortes e seguras ligações afetivas do que extensas horas de violência incoerente e não estimulante com pai e insatisfeito e hostil. Assim, pois, a variável crítica é a qualidade da interação e não a quantidade.

       Muitos pais se tornam accessíveis aos seus filhos interagindo com eles. Respondendo aos sinais deles, tornando-se, assim, figura importante no mundo infantil, embora a quantidade de tempo seja relativamente pequena.

Entretanto, muitos pais sejam inaccessíveis a seus filhos, interagindo pouco com eles  estão mais prontos para ter um impacto negativo do que positivo sobre o desenvolvimento da criança.

A teoria psicanalítica nos dá conta de que a identificação da menina com a mãe e do menino com o pai é crucial para a adoção do papel sexual, e também prenuncia a formação do superego, que é um pré-requisito para o desenvolvimento da moralidade e do comportamento moral.

Alguns psicanalistas destacam o papel do pai na quebra da relação simbiótica mãe-filho, cortando assim, o “cordão umbilical” dos dois. Isso presume que não há uma relação pai-filho nos primeiros dias de vida.

A teoria de Parsons apresenta o pai como a figura de um executivo com ação orientada para o mundo. Ele é o elo primeiro entre o amplo sistema social e o sistema familiar. Assim o pai seria aquele que introduziria a criança no papel sexual no mundo, encorajaria a aquisição de competências necessárias à adaptação do mundo e representa a comunicação de valores e moralidade do sistema social.

A teoria da aprendizagem mostra que a aprendizagem e identificação (imitação) são aspectos cruciais na pré-adolescência no desenvolvimento da personalidade. Embora pai e mãe estejam empenhados nesse desenvolvimento reforçando comportamentos socialmente aceitáveis e punindo aqueles comportamentos que não são aprovados pela sociedade, muitos teóricos afirmam que o pai é mais punitivo e por isso mais efetivo na inibição de comportamentos indesejáveis e anti-sociais.

(Será que essa adolescência desenfreada de hoje é consequência de ausência de pais?). A aprendizagem por observação (modelo) é vista como o processo crucial do desenvolvimento do papel sexual da criança pequena; assim o papel do pai no desenvolvimento da masculinidade de seu filho é de suma importância.

O modelo do pai não é vital no desenvolvimento do papel sexual das filhas, mas o pai facilita sua feminilidade por recompensar comportamentos femininos e desencorajar comportamentos masculinos.

Estudos têm demonstrado que pais calorosos e masculinos tem filhos masculinos. Deutsch (1944) sugere que pais aumentam a feminilidade de suas filhas por recompensar traços femininos tais como passividade, com afeição. Parece que a variável crucial parece ser não a masculinidade do pai, mas seu calor e a qualidade da relação com sua filha.

O estabelecimento de relações satisfatórias entre companheiros, ajustamento psicológico geral e posterior sucesso na relação hetero-sexual pode também ser facilitado pela presença do pai e pela calorosa relação pai-filho quando ele está presente.

Pais afetuosos (cordiais) podem contribuir grandemente para o ajustamento de suas filhas e facilitar sua felicidade nas relações heterossexuais subsequentes. Por outro lado, relações perturbadas entre pais e filhos e a falha em identificar-se com o mesmo sexo pode ser psicogênico, sem dúvida isso pode ser crucial na etiologia de homossexualismo.

Um recente estudo longitudinal demonstrou que os adultos mais ajustados são aqueles que na infância tiveram relações afetivas calorosas com os pais no contexto de um casamento feliz.

IV – O PAPEL DO PAI EM ENSINAR RESPONSABILIDADES AO FILHO

Todo pai quer que seus filhos sejam responsáveis. A responsabilidade é aprendida e os primeiros professores da criança são os pais; como a criança aprende primeiro por observação e imitação, os pais têm grande importância no ensino da responsabilidade, porque como pais e “professores” eles vão ser observados e imitados pelos filhos. Portanto, o primeiro passo no ensino da responsabilidade é SER RESPONSÁVEL.

Pessoas felizes e bem ajustadas são indivíduos mais responsáveis. Existem épocas “melhores” para desenvolver responsabilidade:

  • Aproveitar a disposição da criança pequena quando demonstrar desejo de ajudar (uso do talher, do copo, etc.);
  • Deixa-los participar das decisões da família;
  • Deixa-los tomar decisões;
  • Elogiar sempre que possível;
  • Levar a criança a sentir-se útil encoraja uma atitude sadia em relação ao trabalho.

De modo geral os filhos correspondem à expectativa dos pais; deixe-os saber o que você espera delas: “Fulano parece uma pessoa adulta”, “Confio em fulana!”  “Não espero nada de fulano! Não dá para nada… o que será dele?”.

Seu filho será o que você espera dele!

V – O PAPEL DO PAI NA COMUNICAÇÃO NA FAMÍLIA

A comunicação é um processo de dar e receber informações (diálogo). Na comunicação deve se considerar: quem fala = EMISSOR, quem deve ser ouvido; o que fala = MENSAGEM, que deve ser ouvida; para quem fala = RECEPTOR, que deve estar atento.

EMPECILHOS À COMUNICAÇÃO (no lar) Telefone como modelo.

  1. Discar errado – você tenta falar com quem não deve; manda mensagem errada para quem não precisa: transfere para o filho o que deveria ser dito ao chefe.
  2. Linha ocupada – você tenta falar no momento inoportuno, o outro está distraído ou ocupado e você fala sozinho.
  3. Interrupção na ligação – você está falando e alguém o chama ou chama o outro. Interrupções contínuas causam conflitos.
  4. Ruído de linha – você fala numa hora em que todos estão falando: você fala alto, grita, o outro também grita e você não é ouvido.
  5. Desatenção à comunicação – você está falando e a outra pessoa do outro lado da linha: “tá”, “sim”, automaticamente sem se preocupar com o que você está dizendo.
  6. Menosprezando a comunicação – A pessoa do outro lado está zombando, fazendo caretas, rindo com outra pessoa e sua mensagem fica no ar.
  7. Impossibilidade de comunicação – tirar o telefone do gancho.

Todos os familiares desejam se comunicar. Se quando os filhos buscam comunicação com os pais encontram sempre a linha ocupada acabarão parando de discar seu número (Ex. criança vendo TV e pai quer falar, ou pai lendo o jornal e não ouve a criança). Boa parte da comunicação é a capacidade de ouvir.

VI – O PAPEL DO PAI NA DISCIPLINA E NA MORALIDADE

        A década de 60 marcou uma reviravolta nos costumes morais na história da humanidade. Os valores foram mudados de tal modo que hoje muitos não aceitam a religião como sendo a última palavra quanto à vida moral. A diminuição da autoridade gerou na geração adulta uma onda de incertezas. Pais deixaram de ter autoridade sobre seus filhos, porque também eles deixaram de obedecer à palavra e à autoridade de Deus. A perca da autoridade enfraquece os elos entre pais e filhos levando antes a uma independência sem direção ou controle, que os levará, sem dúvida, a enveredar por caminhos tortuosos.

É tolice o pai esperar sucesso na orientação moral dos filhos se não se submeterem eles mesmos às leis da moralidade. É impossível fazer de nossos filhos uma obra prima moral sem contar com a ajuda do Criador da moral. Que orientação você, como pai, está dando aos seus filhos sobre moralidade e valores? Você está seguro dos ensinamentos morais que está dando na orientação dos seus filhos? É hora de refletir e se preparar para ajudar os filhos numa preparação segura para enfrentar a nova moralidade.

CONCLUSÃO: AMOR COMO BASE

O papel que o pai desempenha na formação da personalidade dos filhos não é fácil. É preciso fazer o melhor possível. É claro que aparecerão muitos erros, mas errar é humano, o que não pode ocorrer é a permanência no erro. É importante também a decisão de mudar quando descobrir que está errado. Se houver amor as coisas serão muito mais fáceis. Deus é a fonte de amor está sempre pronto a ajudar, é só pedir seu auxílio e estar sempre pronto a receber seu auxílio. Com amor não há nada difícil nem problema sem solução. O amor deve ser a base de todas as coisas no lar. O pai deve amar a esposa e os filhos, a esposa deve estar revestida de amor para levar avante sua tarefa de mãe e esposa. Num clima de amor e respeito os filhos também aprenderão a amar e respeitar não só seus familiares, mas a todas as pessoas com quem estiver em contato. Li há algum tempo que a melhor coisa que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles…

BIBLIOGRAFIA

Resumo do primeiro capítulo do livro

“The Role of the Father in Child Development”

Michel E. Lamb

      

 

 

 

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