08/08/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Vida Cristã Tags:, ,

BASES BÍBLICAS PARA A COMUNICAÇÃO ENTRE O CASAL I Timóteo 6.18 e Colossenses 3.17

O relacionamento entre os grupos é mantido através de comunicações verbais, gestos e símbolos. A linguagem é exclusiva do homem para manifestar pensamentos, conhecimentos, desejos, experiências e emoções. Todas as relações humanas estão saturadas de comunicação. A cibernética é essa ciência que nos permite a comunicação entre os indivíduos.

Alguns elementos são necessários para que haja comunicação: em primeiro lugar é necessário o perfeito mecanismo da fala; é também necessário o aparelho auditivo que providencia “feedback”, para controlar os sons e capacitá-lo para ouvir o outro; também  é necessário o funcionamento normal do cérebro que controla o movimento da garganta, da boca e que também faça associações, completando esses elementos é necessária também a capacidade de imitar e compreender a fala do outro. A comunicação perfeita se dá quando você fala para alguém e espera que esse alguém ouça o que você está comunicando.

Li há algum tempo sobre como o telefone nos dá um bom exemplo que representa o mecanismo da comunicação:

MENSAGEM – aquilo que queremos transmitir: pedidos, ordens, esclarecimentos, etc. A mensagem a ser transmitida deve ser clara e objetiva, como lemos em Deuteronômio 11.19: “…ensinai-as a vossos filhos,, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te…”.

Existem mensagens verbais que são transmitidas oralmente: ex. “eu amo você”; escritas, como bilhetes, cartas, telegramas, e-mails, fax, etc. Elas também podem ser não verbais, que são dadas através de sinais, gestos, silêncios, piscar de olhos, ou o próprio olhar, que pode ser penetrante, meigo, brilhante, sem vida, triste, desconfiado, hostil, orgulhoso, etc. Salmo 19.3: “Sem linguagem sem fala, ouvem-se as suas vozes”, Salmo 139.4: “Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces”.

O sorriso também é uma forma de comunicação não verbal pode exprimir simpatia, menosprezo, alegria, sarcasmo, etc. Que mensagem transmite o sorriso enigmático da Moraliza?

Outra forma de comunicação também bastante usada é a mímica. A pantomina permite expressar todas as emoções humanas sem o emprego de palavras.

A voz – embora seja o instrumento essencial na comunicação é também poderoso veículo de expressão não verbal, porque a mensagem pode adquirir sentidos diferentes conforme a entonação da voz. (ex. “Guarde logo os brinquedos”, falando em voz alta é diferente quando fala suavemente: “meu filho, guarde os brinquedos…”), o timbre e a altura da voz também são fatores que imprimem a cada voz a sua personalidade. “A palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”. Provérbios 15.1. “Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces que o mel à minha boca”. Salmo 119.103.

EMISSOR – o emissor é aquele que fala. Êxodo 4.15: “E tu lhe falarás, e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua boca, ensinando-vos o que haveis de fazer”.

CANAL – veículo que permite a transmissão, no caso, o fio telefônico, ou o ar, que é o canal mais  simples. I Samuel 3.9: “Pelo que o Senhor disse a Samuel: Vai-te deitar, e há de ser que, se te chamar,     dirás: fala, Senhor, porque o teu servo ouve…”

RECEPTOR– aquele que recebe a mensagem. Jó 33.33 “Se não, escuta-me tu, cala-te e ensinar-te-ei a sabedoria”.

RUÍDO – é tudo aquilo que perturba a comunicação: interferências, barulho, linha cruzada, etc. I Coríntios 14:9: “Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis como que falando ao ar”.

Nas comunicações surgem obstáculos que impedem as comunicações e provocam distorções, fazendo com que a mensagem chegue deformada ao receptor. Muitas vezes a própria percepção do ouvinte distorce a comunicação.

COMPREENSÃO – é outro fator determinante na comunicação. Todo ser humano quer ser compreendido: marido x mulher, pais x filhos, patrão x empregados, etc. Quando não existe compreensão surgem os ressentimentos e mágoas, porque as emoções, dúvidas, desejos, pensamentos e sentimentos não puderam ser expressados

ACEITAÇÃO DA INDIVIDUALIDADE – é o primeiro passo para a compreensão. As pessoas são diferentes. Impossível compreender e conhecer totalmente o outro no período do namoro e do noivado… (nem depois de cinquenta anos de casados…) Conhecimento e compreensão são processos dinâmicos e não estáticos e implicam num dinamismo constante de adaptação e ajustamento para que haja maior equilíbrio nas comunicações familiares.

Cada membro da família é um indivíduo único e deve ser tratado como tal para que haja um relacionamento sadio e feliz. Isso envolve a capacidade de ouvir o que o outro fala, diz e sente, para responder de acordo como a sua necessidade. É preciso reconhecer e aceitar as diferenças individuais, amá-los e respeitá-los como são e não como desejaríamos que fossem.

Os filhos desejam comunicar-se com os pais, querem pedir coisas, compartilhar, ouvir nossas vozes, sorrisos, etc.; a comunicação não pode ser reduzida a orientações, conselhos,  ordens e broncas…

AUTORITARISMO do marido pode impedir a comunicação, o canal fica interrompido e a mensagem não alcança os objetivos. Se os pais não conversarem com os filhos sobre trivialidades não conseguirão ser ouvidos quando lhes falarem de coisas sérias. Nenhum marido pode se comunicar plenamente com a esposa se ele não tem lugar para manifestar ternura na rotina de cada dia. Nenhuma mulher pode esperar que resmungando, gritando, batendo portas, atirando objetos, ofendendo o marido, humilhando-o a maior parte do tempo encontrará nele afeição na hora que precisa. “Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem enganosamente”. Salmo 34.13.

Marido e mulher são responsáveis para que a comunicação seja perfeita entre o casal. “O Senhor Jeová me deu uma língua erudita para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado”. Isaías 50.4a. O marido é complemento da mulher e ela do marido. (Gênesis 2.18).  A companheira de Adão não era uma estátua muda, era dinâmica, adjutora. Deus tinha um plano para o primeiro casal como tem um plano para cada casal que se une. Ele tem que ser glorificado em cada família.

“Andai em amor” Efésios 5.2, é o conselho de Paulo. Após o casamento a responsabilidade pessoal cresce à medida que os cônjuges crescem espiritualmente. À medida que adotam as prioridades de Deus como sendo suas. Eles aprendem a conviver um com o outro, fazendo concessões mútuas, aprendem a sujeitar-se um ao outro facilitando a comunicação entre si.

Em I Pedro 3.7, a Bíblia nos mostra claramente o papel do marido em manter a comunicação e a intimidade no relacionamento conjugal, mas temos observado que não é somente o marido, mas também a mulher é responsável para manter os canais de comunicação livres para que haja comunicação perfeita. “Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações”. (Mas muitas vezes a mulher é culpada pela interrupção das orações).  É responsabilidade do  marido fazer com que a mulher desenvolva seu sentido de valor pessoal e autoestima, de modo que ela creia que suas opiniões são valiosas para ele.  Quando ele desvaloriza a mulher o ressentimento aumenta, prejudicando a comunicação e o desenvolvimento da vida espiritual.

A mulher é intuitiva, e o homem é mais racional, mas muitas vezes a intuição é mais exata que a logica masculina, por isso o homem tem que reconhecer e deixar que ela expresse seus sentimentos para que não se sinta frustrada. A recíproca também é verdadeira: valorizar o marido e dar-lhe a honra devida nas decisões sobre a educação dos filhos, aquisição de bens, etc.

“Dando honra à mulher como vaso mais fraco”… (será que é mesmo?) A atitude do marido em relação às decisões que a mulher tem que tomar em situações do dia-a-dia vai influenciar também no apoio que a esposa dará ao marido nas suas decisões.  Alguns maridos consideram a mulher como um “vaso tão fraco” que não a deixa tomar nenhuma decisão. Elas se tornam tão subjugadas e submissas a ponto de anularem sua personalidade. O marido precisa reconhecer o valor de sua esposa.

“Como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações”. É importante cultivar a comunhão com Deus.  Orar juntos para enfrentar os problemas; o diabo tem menos força quando o casal está em comunhão com Deus. Quando surgem os conflitos surge o sentimento de que um não está interessado nos problemas do outro, surge o distanciamento e a primeira coisa a ser minada é a vida espiritual. Cada um fica no seu canto e a vida devocional vai “pra o brejo…”.

Os problemas mais comuns relacionados com o impedimento das orações podem ser brigas, discussões, discordância quanto à educação dos filhos, ou maneira de punir, excesso de autoridade do pai ou da mãe, desorganização em casa, finanças, etc. Algumas passagens bíblicas ajudam a facilitar a comunicação e a impedir a atuação do inimigo em nossos lares. I Samuel 2.3: “Não multipliqueis palavras de altíssimas altivezas, nem saiam palavras árduas da vossa boca, porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por ele são as obras pesadas na balança”. Eclesiastes 5.2: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; pelo que sejam poucas as tuas palavras”. Efésios 4.29: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem”. Colossenses 3.8: “Mas agora despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca”.

Finalmente, “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”.  Fl.2.5. Para que o casamento seja bem sucedido terá que haver um planejamento a curto e longo prazo com objetivos a serem alcançados. O casal traçará os planos em conjunto. É preciso que os dois se comuniquem para que haja o mesmo sentimento.

COMPASSIVOS… – qualidade daquele que tem compaixão, que se compadece, que tem com sideração, pena, dó, piedade. É a ideia de sensibilidade às angústias, depressões e tristezas um do outro. É preciso que haja amor e consideração. Evitar frases que possam ferir “o quê que há?”, “que bicho te mordeu?” A EMPATIA encontrará lugar na solução de problemas. Salmo 37.26: “Compadece-se sempre, e a sua descendência é abençoada”. Salmo 112.5: “Bem irá ao homem que se compadece e empresta: disporá as suas coisas com juízo”.

“Amando os irmãos”. O amor é a pedra fundamental do matrimonio. Amando um ao outro, primeiro como ser humano, depois como esposos. Amar como irmãos dá ideia de um relacionamento afetuoso, amigo, em que duas pessoas possam conversar, trocar ideias, compartilhar suas dificuldades e vitórias, sem censura ou rejeição. Deus espera que marido e mulher ressaltem as qualidades positivas um do outro e não as negativas. As fraquezas eles já conhecem… Fortalecer as características nobres aumentará no casal o desejo de tornar-se melhor e agradar mais um ao outro. Provérbios 10.31: “A boca do justo produz sabedoria em abundancia, mas a língua da perversidade será desarraigada”. Provérbios 12.25: “A solicitude no coração do homem o abate, mas uma boa palavra alegra”.

MISERICORDIOSOS… – Muitos homens pensam que o autoritarismo define o verdadeiro homem; ele tem que ser mandão, enérgico, esbravejador, “que fala grosso”, pois assim alcançarão respeito da esposa e dos filhos. Mas não é assim. O homem pode ser calmo, falar moderadamente, ser firme, manso de palavras e conseguir o mesmo respeito da família. Tito 2.7, 8. “Em tudo te dá, por exemplo, de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós”. Misericordioso, compassivo, piedoso, que tem comiseração, perdoador, são atributos de Deus que o leva a perdoar as faltas e os pecados dos homens. Êxodo 22.27b. “Será, pois que, quando clamar a mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso”. Salmo 111.4b. “Piedoso e misericordioso é o Senhor”. Lucas 6.36: “Sede, pois misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”.

A misericórdia é exercitada quando o casal trata do verdadeiro problema sem atacar a moral e o caráter do outro cônjuge. Provérbios 12.18: “Há alguns cujas palavras são como pontas de espada, mas a língua dos sábios é saúde”. O domínio das reações, atitudes e palavras está diretamente ligado com o autocontrole obtido no relacionamento e dependência espiritual de Deus. Se você não medir as palavras que profere é impossível impedir que seus ouvidos recebam o eco do que foi dito. “Quem fala o que quer ouve o que não quer”. Nos momentos difíceis o autocontrole tem que ser exercitado. É bom parar e refletir sobre os motivos que causaram o impasse e discutir os motivos que o causaram e discutir problema.

“Não tornando mal por mal”. “Não leve a mal”. Esta é uma questão de pensar mal um do outro. É o contrário da agressão física ou verbal. Lucas 6.37: “Não julgueis e não sereis julgados, não condeneis e não sereis condenados… com a medida com que medirdes vos medirão a vós…” Muitas vezes você não fala, mas comunica seu pensamento através de expressões faciais, labiais, pelo olhar e boca, transmitindo mensagens mais duras que as palavras. Silêncios também são significativas formas de comunicação. Perguntas não respondidas, muxoxos, dar de ombros, olhares raivosos ou de desdém, sorrisos sarcásticos, são comunicações mais brutais que palavras ou agressões físicas.  Isso reflete imaturidade emocional e a maturidade emocional não se adquire nos livros…

“Ou injúria por injúria”. A passagem nos ensina a não revidar no mesmo tom quando há uma agressão verbal. Provérbios 15.1: “A palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”. Quando um explode o outro deve calar.  Provérbios 25.22: “Porque assim brasas lhe amontoarás sobre a cabeça, e o Senhor recompensará”. A discussão não leva a nada.  Os ruídos impedem a comunicação.  A Bíblia manda devolver o mal com o bem. Mateus 5.44: “Eu, porém vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.” Mas quantos casais se lembram disso na hora da raiva? Toda linguagem agressiva deve ser deixada de lado. Onde fica a educação e a delicadeza do tempo do namoro e do noivado?

“Antes, pelo contrário, bendizendo, sendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção…” Salmo 35.28: “E assim a minha língua falará da tua justiça e do teu louvor todo o dia”. Será que é fácil bendizer os que nos maldizem? A Bíblia nos diz que “para isto fostes chamados” Bendizer é falar bem, louvar, reconhecer o valor e a bondade do outro, elevá-lo (a) aos olhos dos outros. É isso que a Bíblia ensina e que nós não aprendemos. O casal que permitir que o Espírito Santo de Deus habite no seu lar, que molde sua personalidade, receberá grandes bênçãos do Senhor.

Deus abençoará a família através do casal. As atitudes e o tratamento mútuo devem ser melhorados cada dia. O amor tem que ser construído durante toda a vida. As partículas de bondade, afeição, compreensão, carinho, delicadeza, autocontrole, etc. formarão a perfeita comunicação entre o casal e entre pais e filhos.  Os cônjuges precisam dar atenção especial um ao outro e cultivar o amor no lar para que possam ser ternos, compreensivos e comunicáveis. I Timóteo 6.18: “Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis”.

 

Ilma Vieira Silva

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