08/08/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Criança Tags:,

CRIANÇAS QUE MORDEM

Por que as crianças mordem?  Existem várias razões que levam algumas crianças a esse tipo de comportamento. Geralmente se observa esse tipo de coisa em creches, onde existem grupos de crianças, quase todas da mesma idade. Especialmente acontece com crianças que ainda não desenvolveram a linguagem falada. Vamos conhecer algumas.

A CRECHE – Numa certa época da vida as mães que trabalham fora necessitam deixar seus filhos na creche. É preciso escolher bem o lugar em que vai entregar sua criança para ser cuidada por pessoas que você não conhece. Converse com várias mães que tenham filhos em creches e procure visitar o maior número possível e instituições para poder comparar e escolher aquela que satisfaça as  melhores condições para deixar seu filho.

– Busque informações com outros pais que tenham crianças naquela creche;

– Procure conhecer a diretora e as auxiliares que trabalham no dia a dia com as crianças;

– Verifique o ambiente físico, espaço, ventilação,  limpeza, etc;

– Visite a cozinha e os banheiros.

Depois de escolher a creche, leve a criança para ambientar-se na escola, fique com dela alguns minutos para que ela se acostume com outras crianças e com as monitoras. Nos primeiros dias leve a criança por um pequeno período para que ela se acostume aos poucos com o ambiente diferente do seu lar. Algumas crianças não têm problemas de adaptação e, frequentemente observa-se que a criança se adapta primeiro que a mãe… As duas choram, é normal, mas não deixe que a criança veja a mãe chorando.

Não existe creche perfeita, e a creche não é a “casa” da criança, mas ela deve proporcionar um ambiente agradável para que a criança aprenda a gostar dela. Colocar uma música suave. As pessoas que trabalham devem evitar falar muito alto. A voz suave acalma as crianças, voz modulada e harmoniosa. A criança vai aprender a obedecer se você se aproximar dela e falar num tom de voz mais baixo e colocar seus olhos na altura dos olhos da criança e falar devagar para que a criança possa “entender”.

A creche deve ser a continuação do lar. Ela pode complementar e ajudar os pais na formação física e intelectual das crianças.  A escola sempre é importante na ajuda, no cuidado e na instrução das crianças, e os pais não devem deixar para a escola o seu papel de educar e passar os valores familiares para a formação do caráter dos seus filhos

A GENÉTICA – Todo ser humano ao nascer, traz uma carga genética bem grande dos gens dos pais, dos avós e de todos os seus ancestrais. É uma mistura de caracteres que vão formar a personalidade de cada criança, são características únicas e com reações diferenciadas. Crianças calmas, agitadas, choronas, tímidas, retraídas, manhosas, etc. Todas as pessoas que vão conviver e cuidar das crianças devem desenvolver sua capacidade de observação para entender e ajudar no comportamento de cada uma delas, tomando cuidado para aceitar a individualidade de cada criança, sem comparar uma com a outra, pois cada criança tem um  ritmo diferente de desenvolvimento, por isso não se pode comparar.

A individualidade vem com cada criança ao nascer e nenhuma criança tem a mesma carga genética de outra, nem mesmo entre irmãos a carga é igual, cada indivíduo é único. As diferenças individuais estão presentes desde que a criança foi concebida.

Características herdadas são quase imutáveis: não se pode mudar os “gens”, mas na creche e no lar, o temperamento – que é genético, pode ser MOLDADO, pela educabilidade; o controle do temperamento será exercido pelas vivências diárias com adultos, pelos exemplos dado pelos pais  e mestres e demais pessoas com quem a criança conviver.  Assim, elas têm oportunidade de aprender com exemplos vivos a arte do bom viver.

As crianças são passíveis de aprendizagem; são inteligentes e “vivas” e aos poucos desenvolvem sua capacidade de adaptação ao novo meio em que se encontram. Há várias maneiras de aprender: as crianças aprendem por observação, imitação, introjeção e por B. Por isso, os adultos em casa e na creche devem apresentar comportamentos socialmente aceitáveis para que as crianças observem e tentem imitar.  Os adultos são espelhos em que as crianças se miram.  Quando as crianças sentem, apreciam ou amam os adultos ao seu redor, elas não só as imitam, mas querem ser iguais a eles.  Assim as crianças introjetam, isto é, trazem para dentro de si imagens e comportamentos observados e imitados e querem ser iguais às pessoas que elas admiram, então o menino quer ser tão forte e valoroso como seu pai e as meninas querem ser tão boas quanto suas mães. Os bons comportamentos repetidos diariamente vão formar o caráter de cada criança.

O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM –  As crianças pequenas ainda não sabem falar, não podem expressar seus desejos com a boca, mas elas têm uma capacidade perceptiva muito mais desenvolvida que muitos adultos,  pois bem, elas “sentem” as expressões faciais e reconhecem quando alguém  está de cara amarrada, ou zangada, ou sorrindo, por isso todos os que atuam na creche devem manter um semblante alegre e descontraído, para lidar com os pequeninos.  As crianças estranham ambientes novos, daí a necessidade de estar junto com pessoas meigas e delicadas que as afaguem, acariciem, mantendo sempre uma voz calma e tranquila.

Como vimos anteriormente, as crianças aprendem por imitação. Elas precisam aprender a falar e a falar certo, não pronunciando as palavras de qualquer maneira. Na creche e em cada um esforço comum para desenvolver a linguagem deve ser primordial.  O que é a linguagem? É a forma que temos para expressar nossos desejos,  ansiedades, raiva, fome, sentimentos, etc.

Estudiosos sempre discutiriam o problema: O que vem primeiro? O pensamento ou a linguagem?  Muitas crianças que ainda não articulam as palavras são capazes de obedecer pequenas ordens, como “pegue o jornal para o papai…”, ou, “dê um  beijo na mamãe”, mesmo que ela  ainda não fale, ela compreende e obedece. As ordens devem ser dadas devagar com a criança olhando para a pessoa que está dando a  ordem.  Mas, quando ela quer alguma coisa? Como a criança se comunica?

AS MORDIDAS – É muito comum nas escolas – na creche e no maternal as mordidas. Uma das causas é que as crianças ainda não sabem falar, não sabem explicitar seu pensamento, seu desejo, sua vontade, então elas usam seu meio de comunicar a boca, (mordida) para chamar a atenção ou para solicitar ajuda, ou para  exprimir um desejo (ela quer o brinquedo que está com outra criança). Nós nos comunicamos com a boca ou com gestos  quando queremos as coisas, como as crianças não sabem falar elas choram, batem os pés, gritam e… mordem. Este é um problema bem desagradável tanto para a mãe da criança mordida como para a mãe da criança que morde. Sempre há um mal estar  entre as mães e a pessoa responsável pala creche.

O QUE FAZER? – A primeira coisa prática a fazer é impedir a ação. Observar mais de perto a criança que morde. E quando vir que uma criança está pronta para dar a mordida, a pessoa que está vendo, tira a criança “mordedora” daquela situação, pondo-a no colo ou mostrando-lhe um brinquedo para distraí-la. Não adianta falar: “Não pode morder” ou “não faça isso”… ou ainda querer explicar  que mordida dói, a criança não vai entender, mas não deixe de observar, porque algumas crianças não esquecem e ao colocá-la no grupo ela vai tentar morder novamente, o importante é redobrar a atenção e impedir que uma criança  morda a outra. Geralmente quando estão rompendo os dentes a criança gosta de morder porque estão coçando as gengivas, por isso, em casa pode-se dar à criança objetos apropriados para isso – mordedores de borracha ou plástico. Cada criança deve ter seu mordedor.  Isso pode aliviar a tensão enquanto a criança se diverte com o objeto ela não “ataca” ninguém. Se por várias vezes a criança dor retirada da situação, ela aprenderá a não morder. Ás vezes acontece que a criança “mordedora” receba também uma mordida, então ela vai chorar, gritar, reclamar, mas vai aprender na prática, que mordida dói…

Muitas vezes, nós adultos, somos culpados por ensinar a criança a morder: quantas vezes apertamos a bochecha da filhinha e dizemos: “que gracinha”, ou “que fofinha” e muitas  vezes mordemos a criança, de brincadeira, a criança aprendeu e vai repetir a “experiência” em outra criança, mas acontece que nós, adultos, temos controle no tipo de mordida ou carícia que fazemos ao nosso filhos, mas a criança, quando morde ela não tem controle da sua força e vai apertando os dentinhos enquanto sentir maciez… É preciso não ensinar á criança o que não deve ser aprendido…

COMO DESENVOLVER A LINGUAGEM NA CRIANÇA?

Geralmente as crianças mordem porque não desenvolveram devidamente a linguagem. Em casa os pais devem conversar muito com os filhos. Conversar com as crianças é importante porque além de ensiná-las a falar o relacionamento entre pais e filhos se torna mais eficiente. Esta é uma tarefa para os pais e familiares: ensinar as palavras e alguns gestos, “tchau”, por exemplo,  a criança vê gesto e o som da palavra e vai imitar a voz e o gesto.  Na hora da mamadeira repetir: “aqui está a mamadeira do Davi”, e não a “dedeira”; “Vamos tomar banho”, “papai está chegando”, “dê um beijo na Clarinha”, et. E sempre juntar a palavra  á ação.

Quando a criança olhar para o filtro e disser “a…a…”, ela está querendo dizer “água”, pegue então o copinho, coloque a água e vai repetindo devagar: “água, água, você quer água” e vá ajudando a criança a beber.  A linguagem vai se aprimorando e breve ela estará falando: “agu, agu” e daí para dizer “água” não vai demorar nada…

Os pais têm que separar um tempo para estar com os filhos. Esta proximidade vai ajudar no desenvolvimento da personalidade da criança de forma global

O desenvolvimento da linguagem não é igual para todas as crianças. Por causa da sua individualidade e do meio em que as crianças convivem e também dependendo de sua carga genética as crianças se desenvolvem diferentemente umas das outras. Estas diferenças podem ser notadas dentro da mesma família. Não se deve comparar uma criança com a outra. A comparação é sempre prejudicial. Cada criança deve desenvolver suas características dentro do seu próprio ritmo.

Outro fator que não pode ser descartado, é o caso de crianças que possuem disritmia. Existem várias causas que podem fazer surgir a disritmia: quedas, remédios que a mãe usou durante a gravidez, alcoolismo, drogas, etc.  Se os pais notarem algum atraso no desenvolvimento da linguagem, devem  procurar um neurologista infantil  ou uma fonoaudióloga que naturalmente vão  orientar  os pais nessa área. Tudo é mais fácil quando é tratado no início.

Para concluir devemos dar graças a Deus que o período de mordidas não é muito longo, é uma fase que dá e passa… As mães não precisam ficar desesperadas porque seu filho morde, é só ensiná-lo a falar… E ás mães que têm seus filhos “mordidos” na creche, o conselho é ter paciência e tratar as mordidas que ás vezes são bem violentas. Espero sinceramente que esse período passe logo, para alegria das mães e dos funcionários da creche…

Ilma Vieira Silva

 

 

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