10/11/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Mulher Tags:

DEIXEI DE SER CHANTAGISTA

(Neste artigo, a professora Ilma, coloca suas idéias em forma de  monólogo para ajudar você a sair desse jogo perigoso – a chantagem)

 

              “Nasci quando meus pais já não eram tão jovens. Recebi todas as atenções da minha família e por isso cresci cheia de vontades e muito super protegida. Tornei-me voluntariosa, exigente, crítica e mandona.  Conseguia tudo o que queria dos meus pais e irmãos. Na escola aperfeiçoei meus modos de fazer chantagens emocionais com os colegas e até com os professores.  Sabia chorar na hora certa e muitas vezes “fiquei doente” até conseguir o que queria.  Assim fui crescendo.  Na adolescência comecei a namorar aquele que viria a ser meu marido. Coitado, como sofreu com as minhas chantagens… Mas eu gostava dele e nos casamos.  Quando meus filhos eram pequenos eu usava de certas chantagens emocionais para que eles me obedecessem, chorava, fazia-me de vítima, reclamava dores inexistentes, dizia-lhes que não gostavam de mim, que eu fazia tudo mas eles não reconheciam o meu sacrifício, etc., etc.  Chegou o tempo em que meus filhos também se casaram.  Meu marido tinha falecido e agora o campo estava mais livre para muitas outras chantagens, desta vez  com mais intensidade porque eu era uma mulher viúva, sozinha, sem ninguém.  Minhas noras, genros e filhos sofriam pois eu sempre jogava sobre eles as causas das minhas tristezas e depressões.  Nada estava bom para mim.  Eu era infeliz e estava sempre culpando os outros pela minha infelicidade usando chantagem sobre chantagem.   Não tinha companhia para sair, era desprezada pelos filhos, tinha medo de sair sozinha; queria  ver os meus netos, mas era difícil sair de ônibus; meus filhos trabalhavam muito e não tinham tempo para mim; precisava ir ao médico mas não tinha quem me levasse, etc.

“Um dia em que estava bastante deprimida parei para pensar sobre a minha vida e senti que se realmente eu estava sozinha havia  alguma razão para isso. Por que meus filhos, noras, genros e netos deixaram de vir à minha casa? Seria só por falta de tempo?  Logo percebi que não.  Comecei a analisar a situação e senti que eu era a grande culpada.  Eu mesma nunca tinha tomado a iniciativa  de ser melhor mãe,  avó e sogra.  Eu estava insatisfeita comigo mesma.  Por que os outros deveriam estar satisfeitos comigo?  Pensei nas minhas atitudes, meu jeito de ser, minhas murmurações, reclamações, cobranças, etc.,  e verifiquei, graças a Deus, que a culpa era mais minha do que dos meus familiares.  Naquele momento senti que Deus poderia me ajudar transformando-me numa pessoa mais querida, menos murmuradora e que reparasse menos nos defeitos dos outros.  Naquela hora pedi a Deus que me ajudasse, transformando minha vida, tirando meus defeitos e aperfeiçoando  minhas virtudes.  Mas   o que eu  poderia fazer  para tornar-me diferente e sair dessa situação?  Como abandonar a rotineira chantagem emocional que eu usava como artifício para alcançar meus objetivos , sem me tornar incoerente?  Fiquei muito tempo pensando sobre isso procurando encontrar uma saída.”

“Lutei para reconhecer e aceitar que eu era uma chantagista.  Enfrentar a realidade de frente não era fácil mas era a única maneira de resolver o problema.  O primeiro passo seria mudar.  Resistência a mudanças é algo natural no ser humano e, geralmente, as pessoas voltadas para si mesmas, egoistas – como sempre fui, que buscam todas as atenções sobre si, não gostam de mudar.  Fecham-se em si mesmas e não admitem aproximações nem ajuda de outras pessoas.  Elas se voltam para as suas próprias necessidades de afeto, apegam-se a situações passadas e não querem experimentar mudanças porque são muito apegadas aos seus hábitos.  Mas eu precisava mudar e tentei…”

“Afinal, depois de muito meditar, encontrei algumas saídas.  Em primeiro lugar, descobri que as pessoas que fazem chantagens emocionais são imaturas e tendem a se isolar e sabe-se que, aqueles que se isolam não recebem benefícios vitais do bom relacionamento como o auto crescimento cujo fruto é a maturidade e a integração grupal.  Precisamos uns dos outros e o isolamento traz infelicidade.  No convívio com outras pessoas existe a troca de experiências  que é outro fator de crescimento. É nessa troca que o indivíduo aprende a admirar e a apreciar os outros, assim como se tornar admirado e  apreciado também.  Relacionar-se significa estar perto, compartilhar, sentir com o outro, partilhar alegrias e tristezas.  Nesse convívio você deixa de pensar em si mesma e passa a pensar e a preocupar-se   com os outros, a dedicar-se, ajudar, ter comunhão, etc.  Então, cheguei à conclusão de que eu precisava mudar minha vida.”

“A segunda conclusão a que cheguei foi  a de que eu precisava descobrir qualidades em mim mesma.  Eu precisava  gostar mais de mim, melhorar  minha auto-estima e minha auto imagem. Foi então que descobri que se eu fosse mais atenciosa com os outros, eles retribuiriam  a minha atenção e eu desenvolveria novas amizades.  Chantagistas formam uma auto-imagem negativa.  Como você se vê? Como é sua aparência física? Gosta da sua maneira de ser? Gosta do seu “eu”?  Como você gostaria de ser? A  insatisfação com o próprio “eu” pode levar uma pessoa a querer dos outros qualidades que não encontra em si mesma, daí o ciúme, a inveja, as implicâncias e as chantagens emocionais.  A mudança tem que vir de dentro para fora, a fim de não parecer falsa: “Um coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate” (Prov. 15:13) Sua imagem mental tem que mudar.  Em Prov. 23:7 lemos que o homem é aquilo que ele pensa.  Mudar a maneira de pensar produz  transformação no comportamento e nas atitudes.  Reestruturar a maneira de perceber-se pode torná-la uma pessoa mais feliz”.

A terceira coisa que fiz foi descobrir as minhas qualidades negativas e positivas e fazer uma lista delas.  Só você realmente conhece esses segredos e só você pode querer modificar-se.  Cada dia   eu lia as duas listas e fazia um esforço enorme para modificar,  na lista dos defeitos, tudo o que fosse possível.   Com a graça de Deus e com a leitura da Bíblia, aprendi a ver mais claramente como poderia me tornar uma pessoa melhor.  Os seguintes versículos ajudaram muito na minha transformação: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Prov 15:1); “Melhor é morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda” (Prov. 21:19); “O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda das angustias a sua alma” (Prov. 21:23);  “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e as deixa alcançará misericórdia” (Prov. 28:13);  “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (Prov. 10:12).  Que bênção na minha vida foram esses versículos!.

A quarta coisa que descobri foi que eu sou uma pessoa inigualável, ninguém é igual a mim.  Tenho uma personalidade única.  Fui formada cheia de defeitos e de virtudes, mas como aprendi coisas erradas também posso   modificá-las pra melhorar minha vida; posso corrigir os meus erros,   basta querer.  Existem personalidades de todos os tipos.  Algumas pessoas parecem possuir um ímã que atrai outras pessoas, são amáveis e que sabem dar amor.  Por outro lado, existem algumas pessoas que têm o poder de afastar de si os outros.   São pessoas egoístas, mesquinhas e que não sabem cativar.  Você pode se transformar num ímã ou num objeto  repulsivo.  Depende de  você.  As chantagens emocionais tem o poder de afastar as pessoas, conseqüentemente, a chantagista terá que viver sozinha, aliás, sozinha não, ela vai ter que viver consigo mesma. Você  gosta de ficar a sós com você?  Eu consegui me libertar das chantagens emocionais, graças a Deus.  Aprendi a cuidar da minha saúde física e emocional.  Tornei-me uma pessoa saudável e não tenho tempo para queixar de doenças imaginárias.  Experimentei fazer novas amizades e tenho sido muito feliz.  Aprendi a viver sozinha.  Transformei meu lar num lugar agradável, sossegado, alegre, com música, plantas e luzes. Tenho prazer em receber visitas, filhos, filhas, genros ,noras e netos.  Procuro agradar-lhes.”

“Aprendi a comunicar-me com os outros e a fazer novos amigos.  Procurei cuidar mais de mim mesma; vou ao cabeleireiro manicure, etc.  Às vezes vou nadar no clube perto de casa, onde encontrei pessoas diferentes.  Aprendi a gostar de mim e, engraçado, depois que mudei, percebi que não sou  tão amarga e implicante.  Aprendi a aceitar os outros como são e não como eu gostaria  que fossem.  Aprendi a gostar das pessoas e a ajudá-las também.  Agora sou mais feliz, parece que amadureci.  Encaro as coisas com mais naturalidade , aceito melhor minhas deficiências e as dos outros.  Graças a Deus ele me ajudou a mudar e deixei de fazer chantagens.  Deus me mostrou que a vida pode ser muito melhor quando aprendemos a nos  valorizar e respeitar e tenho observado que os outros têm mostrado  mais respeito por mim e além disso, me dão valor.”

Deixo aqui a minha experiência e espero que sirva para você também.  “Posso todas as coisas nAquêle que me fortalece” (Fil 4:l3); “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito inabalável” (Sal.51:8).

 

 Ilma Vieira Silva  – Psicóloga e Professora Universitária, 1955

Could not resolve: urls.api.twitter.com (Domain name not found)