10/10/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Mulher, Vida Cristã Tags:, , ,

DIÁRIO DE UMA MULHER NO ASILO OS VAZIOS DA INDIFERENÇA

     Hoje eu consigo enfrentar as palavras de Cristo: “Não me visitastes”. Como dói, como machuca, como é triste a solidão e a indiferença neste Lar das velhinhas. E eu estou aqui!!!

     Como fiquei magoada quando aqui cheguei. Ao me despedir de minhas filhas e meus netinhos, tive de disfarçar: “Aqui é ótimo. Eu vou ficar bem. As acomodações são boas. Posso ter companhias de várias senhoras da minha idade. Tenho até televisão no meu quarto e acompanhamento médico sempre que precisar…”

     Eu falava aquilo tentando disfarçar, pois o meu coração estava em prantos. Não conseguia entender porque minhas filhas estavam fazendo aquilo comigo. Estavam cheias da minha presença anciã. Estavam irritadas com minhas antiguidades.

     Eu não servia mais para eles. Para que servirei mais??? Só a morte me espera. Não há razão mais para viver…

     No primeiro dia, na primeira noite, meus pensamentos não saiam de meus netos e de minhas filhas. Meus entes queridos me depositaram neste asilo para eu morrer e não mais incomoda-los. Eu era um estorvo na vida deles.

     Aqueles pensamentos de rejeição me dominavam. A ingratidão de minha família não me deixava sorrir e nem ver as oportunidades que estavam a minha volta. Pensei nos dias, horas, minutos que dediquei ao lado deles esquecendo-me de mim mesma. Pensei nos dia, semanas e meses que corri, trabalhei, lutei e dei tudo de mim para que eles tivessem estudo, saúde, casa, união e Jesus. Eu não conseguia entender tanto desprezo.

     Os dias foram se passando e comecei a ver que ao meu lado havia outras pessoas tão solitárias e sofridas quanto eu…

     O Senhor Deus foi me levando ao passado e reconheci a minha pequenez e o meu pecado. Quantas vezes eu tive oportunidades para sair e visitar um asilo, um lar para idosos, uma casa para os velhinhos e nunca me esforcei para ir. Arranjava sempre uma desculpa para os líderes de visitação da igreja… E agora eu estou aqui, desejando intensamente uma visita de minhas filhas, de meus genros, de meus netos, de minhas amigas…e ninguém aparece.

     Agora eu estou aqui e olho ao meu redor os rostos tristes e angustiados destas outras mulheres. O Espírito do Senhor começa a mexer comigo. “Você está viva… Você tem jesus… Estas mulheres precisam do amor do Senhor…”

     Precisava proclamar Jesus a estas mulheres. Comecei a falar do amor de Deus através de Seu Filho. Elas ouviam com avidez. Falei que só Ele poderia preencher os vazios da indiferença e da ingratidão… Eu falava para elas, mas era o Espírito que falava para mim mesma. Eu chorava quando falava, pois sentia que o Senhor estava mudando o meu ser, e a sua misericórdia e amor invadiram completamente o meu coração.

     Eu estava em paz e alegre, pois Jesus Cristo, a única esperança, estava fazendo diferença real em minha vida e preencheu os vazios que existiam em todo o meu ser. Eu podia ser útil a Ele.

     Tornei-me uma missionária naquele lugar. As senhoras começaram a perceber, mesmo sentindo a ausência de seus filhos e netos, que podiam sobreviver ao presenciarem o amor do Senhor Jesus. Arrependi-me de ter perdido tanto tempo com tantas coisas inúteis e não ter tido tempo para ir numa casa como essa, em meus tempos de juventude.

     Senhor, ajude-nos a continuar proclamando  Aquele que preenche os vazios da indiferença. Amém.

                              O Autor é missionário no Paraná. Nathaniel Brandão Jr.

    

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