20/09/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Jovem Tags:

ELES ESTÃO DE VOLTA

Atualmente, muitos jovens ao comentarem sobre seu casamento, facilmente resolvem o problema do seu futuro usando uma frase que já se tornou comum: “se não der certo eu me separo…” Fácil, não é? É muito fácil falar sem pensar nas consequências…

Por que eles estão de volta? Para abordar o tema é preciso pensar um pouco nas causas que conduzem os filhos na tomada dessa decisão.

FALTA DE PREPARO PARA A VIDA. Antigamente uma menina de 13 a 14 anos já podia ser uma dona de casa, porque desde cedo acostumou-se às lides diárias. Era costume as meninas se casarem cedo, mas elas estavam preparadas para assumirem as responsabilidades de uma família.

Com o passar do tempo as coisas mudaram: Os pais já não exigem tanto esse preparo de suas filhas. Agora os filhos saem cedo de casa para os centros urbanos a fim de estudarem ou trabalharem. Famílias inteiras deixam as fazendas, os campos e vem para as cidades em busca de novas oportunidades. Os tempos são outros…

As mudanças repentinas transformam o mundo, virando-o de cabeça para baixo. Houve total inversão de costumes, moralidades e valores. Os pais deixaram de ser exemplos para os filhos, pois o cinema e televisão passaram a ocupar lugar de destaque nas famílias, trazendo modelos bastante diferentes dos antigos. Daí, adultos, jovens e crianças terem suas vidas transformadas pelos costumes modernos.

Pesquisas recentes tem demonstrado que os casamentos estão ocorrendo cada vez mais precocemente; hoje em dia jovens e adolescentes tomem esta decisão porque engravidaram; outros, devido a conflitos existentes entre pais e filhos, decidem sair de casa deixando de conviver com a família, outros, por causa da total liberdade adquirida, inclusive a sexual, saem de casa para “curtir a vida”, outros, ainda, querem se libertar do “jugo” dos pais, da disciplina imposta pelos mesmos e saem de casa totalmente despreparados para a vida.

Nossos jovens não estão aptos para assumirem um casamento. A Bíblia nos diz que “ há tempo para tudo”. O tempo de casar ainda não chegou para nossos jovens e adolescentes.

Robert Havirghurst, um estudioso da psicologia, desenvolveu uma teoria enfatizando a necessidade de “prontidão maturacional” para o desenvolvimento de capacidades, atitudes, habilidades e competências para o desempenho de certas atividades. Diz ele que há um “momento propício” para as aprendizagens, pois o organismo tem que estar “pronto” para o desempenho das mesmas. Por exemplo, a criança não fala antes de balbuciar, nem anda antes de sentar ou engatinhar, e o momento propício para a aprendizagem da leitura e da escrita também é determinado biologicamente. É necessário que o organismo esteja pronto para adquirir estas habilidades.

Os jovens devem estar também “prontos” para assumirem a responsabilidade de uma família, tanto do ponto de vista biológico, como mental, emocional, psicológico e espiritual. A natureza nos dá exemplo dessa prontidão: Observa-se que a mãe só alimenta os passarinhos enquanto eles estão no ninho; mas quando já podem voar ela deixa de alimentaá-los. Eles vão viver a vida procurando sua sobrevivência e construindo seu próprio ninho.

Casar antes do tempo não é bom, mas passar muito do tempo também não é… Ambos, moça e rapaz – ficam muito exigentes e tem mais dificuldade de adaptar-se um ao outro. Deve-se levar em conta, ainda, a DIFERENÇA DE IDADE do casal. O mais velho vai ficar mais velho ainda, e… mais rabugento; o outro cônjuge sofre. Seria bom que a moça fosse mais nova que o rapaz, embora existam casos em que mesmo a moça sendo mais velha, o casamento dá certo. Vai depender do grau de maturidade de cada um.

Os jovens também não estão preparados para a vida   porque os pais não lhes ensinaram a assumir responsabilidades, desde criança. Os filhos estão acostumados a receber tudo nas mãos dos pais e das empregadas. Foram sempre servidos e não aprenderam a servir. Ensinar às crianças, desde cedo, a cuidarem dos seus objetos, roupas, sapatos e brinquedos ajudará para que no futuro, quando tiverem seu próprio lar, sua casa será sempre arrumada e organizada, onde passarão momentos felizes, quando repartirão com seus próprios filhos, as alegrias de um verdadeiro lar.

Autonomia e independência são fatores que deverão ser desenvolvidos nas crianças, em casa, para que, mais tarde, saibam tomar decisões sábias. Crianças demasiadamente dependentes dos pais não sabem escolher, decidir ou tomar atitudes. Pais superprotetores   desenvolvem a timidez nos filhos, tornando-os medrosos, incapazes de assumir compromissos e geralmente, tendem a fazer escolhas erradas. Na medida em que os filhos aprendem a tomar decisões, orientados pelos pais, eles se tornarão mais autônomos e independentes.

Os pais querem a felicidade dos seus filhos, mas se esquecem que a vida fora de casa não é igual a vida dentro do lar. Por isso, a preparação para a vida inclui o ensinamento de comportamentos que sejam aceitáveis fora de casa – na vida social, na escola, e na igreja. Muitos pais não se preocupam em ensinar a criança a esperar, que é um comportamento desejável em todos os grupos sociais. Crianças que não sabem esperar tornam-se exigentes, desobedientes, cheias de vontade, e, por isso, malquistas, onde quer que forem. Uma criança criada nestes moldes dificilmente se ajustará a um casamento com um cônjuge que teve uma educação totalmente diferente da sua. Se os filhos fossem realmente preparados para a vida adulta, muitos casamentos não seriam desfeitos e a “volta para casa” não existiria…

Finalmente, a preparação para vida inclui o exemplo dos próprios pais. Existem pesquisas comprovando que filhos de pais separados tendem a separar-se também. Muitos pais não estão alertados para o modelo que são dentro de casa. As crianças estão olhando para os pais, imitando gestos, tom de voz, atitudes, palavras e comportamentos que certamente irão ser repetidos na sua futura família.

Uma observação muito comum é de mães que não toleram ser donas de casa – naturalmente devido ao exemplo de sua própria mãe. Donas de casa que reclamam do trabalho rotineiro: não gostam de cuidar da casa, fazer comida, passar roupa, reclamam do excesso de trabalho, cuidar de crianças, deveres de casa, uniformes, merenda, etc. e estão sempre cansadas, não dando conta de executar todas as tarefas domésticas, e muitas vezes ainda trabalham fora… as filhas que observam isso em casa, dificilmente estarão preparadas para assumirem seu próprio lar. Elas vão sentir as mesmas dificuldades e fugirão das responsabilidades domésticas.

Os filhos também se preocupam em como será sua casa se a esposa for igual à sua mãe… A tendência desses filhos é optar por uma empregada que assuma a casa, as crianças, e eles pensarão unicamente no emprego, deixando aos cuidados da babá a educação dos filhos repetindo, novamente, a vida dos seus pais; perdendo, assim, as alegrias de acompanhar o crescimento e o desenvolvimento dos filhos, privando-os do contato essencial à formação de uma personalidade equilibrada e dificultando o contato necessário para prepara-los para a vida.

Os filhos miram-se no espelho dos pais. Como aprenderão a serem responsáveis se não observam isso nos pais? Mães superprotetoras desenvolvem filhos irresponsáveis, pois estes ficam esperando que os outros façam tudo para eles.

Outras vezes é o pai que não aprendeu a cooperar, quando menino, e agora recusa-se a ajudar a esposa nas tarefas domésticas. São os “machões” que não se dispõem a cooperar. Qualquer tipo de ajuda tornaria esposa menos cansada, mais disposta, e com mais tempo disponível para gastarem juntos, conversar, conviver, etc. Existem maridos que querem tudo nas mãos: São crianças em corpo de homem: dependentes, imaturos estão sempre dizendo “não tenho jeito para isso” ou “ isso é coisa de mulher”… As crianças observam estes exemplos no pai, e, certamente, irão repetir no futuro.

POR QUE VOLTAM – Existem muitas razões pelas quais os filhos voltam para casa após o rompimento de uma relação. Jovens imaturos que não foram preparados para a vida, casam-se pensando em “mudar” o cônjuge. Engano. Ninguém muda ninguém… Qualidades e defeitos deverão ser vistos antes do casamento para não reclamarem depois. Após lua-de-mel começam as cobranças, as comparações…”na minha casa era assim”, “minha mãe fazia assim”, “meu pai agia dessa maneira”, e assim por diante. Os cônjuges devem ter consciência de que nenhuma pessoa é igual a outra e procurar ACEITAR as diferenças individuais. Comparar é sempre ruim. Em qualquer tipo de comparação alguém leva desvantagem… a pessoa que está em situação inferior nunca se conforma. As desavenças no lar começam a partir de comparações, e daí para a VOLTA, é só um passo!…

Outro fator que pode influenciar na “volta para casa” é a interferência de terceiro na vida do casal. As interferências geralmente surgem dos próprios membros da família: Pais, cunhados, primos, etc. Seria bom que o casal pudesse viver sozinho pelo menos durante um ano, longe das duas famílias, para que se ajustassem um ao outro. A privacidade preservaria o casamento de muitos aborrecimentos. Melhor seria que as famílias soubessem disso evitassem interferir na nova relação. O “enfim sós” deveria durar pelo menos um ano… Muitos casais permaneceriam unidos se não houvesse tanto palpite e intromissão na vida do casal.

Ouvi, uma vez, a estória de um jovem que queria se casar. Chegou-se para o pai e disse: “Papai, estou pensando em me casar”. O pai, virou-se calmamente e falou: “Filho, abra os olhos…” Algum tempo depois o filho tornou novamente para conversar com o pai e disse: “Papai, acho que encontrei a moça certa. Vou ficar noivo”. O pai tornou a dizer: “Filho, abra os olhos”. Meses depois o filho voltou e disse: “Papai, vou me casar no próximo mês”. Novamente o pai falou: “ Meu filho, abra os olhos”. Finamente chegou o grande dia. Na igreja, após a cerimônia religiosa, na hora dos cumprimentos, o filho disse ao pai: “Papai, agora estou casado”. O pai, abraçando o filho disse: “ Meu filho, agora fecha os olhos”…

Esta estória nos traz uma grande lição: Os defeitos devem ser vistos antes, porque depois do casamento os olhos devem ser fechados para que possa haver harmonia no lar.

É uma triste realidade, mas o que se vê hoje em dia, são casais que só sabem apontar os erros e fecham os olhos para as qualidades do seu cônjuge. “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não retiras a trave que está no teu olho” o casal amadurecido encontra o caminho assim os casamentos perduram por muitos anos. Casamento é convivência, diálogo, cooperação, amor, responsabilidade, carinho, compreensão, ajustamento, etc.

Com o passar do tempo podem surgir muitos problemas na família. Mudanças de emprego, perda de emprego, chegada dos filhos, enfermidades, etc. São fatores que criam transtornos. A chegada do primeiro filho é ansiosamente esperada, mas é sempre difícil, para o casal inexperiente, enfrentar as mudanças que vão ocorrer daí para a frente, erros são comuns. Os primogênitos são cobaias dos pais. Mas não existe problema que não seja superado se o casal estiver amadurecido e unido para enfrentar os problemas da vida.

Pode acontecer que a imaturidade do casal, diante de situações difíceis, leve os cônjuges a se desestruturarem de tal forma, que, não vendo saída ou solução para os problemas, eles se separem e cada um volte para o ninho antigo.

Muitas vezes os filhos voltam porque sempre foram rebeldes e desobedientes, não acatando os ensinamentos e os conselhos dos pais, nenhum pai quer a infelicidade dos filhos. Pela sua própria experiência os pais podem ver mais longe que os filhos, e , muitas vezes, os aconselham quanto a escolha que estão fazendo, pois percebem que aquele casamento não vai dar certo, mas existem filhos que são rebeldes desde crianças, embora os pais lhes tenham ensinado o caminho certo, conduzindo-os pelas veredas direita, mas a rebeldia falou mais alto, e os filhos, por teimosia e desobediência, não aceitam o conselho dos pais, afastam-se de Deus e da família, procuram o seu próprio caminho, desviando-se do plano traçado por Deus e encontram a infelicidade. Erram e depois voltam como o filho pródigo.

Existe também o grupo que engana o seu próprio coração não buscando a vontade de Deus de verdade! Encantam-se com o primeiro rosto bonito ou com o primeiro bonitão e oram para que Deus faça a Sua vontade, contanto que seja com aquele belo tipo que lhe encheu os olhos… Coitados… As aparências enganam. Nem, todo casamento é traçado por Deus. Estes fracassam e no fim,  cada um volta para a sua casa e quem mais sofrem são os filhos…

A Bíblia nos diz que “ O que Deus ajuntou não o separe o homem”, Mas é bom lembrar que nem todo casamento foi ajuntado por Deus. Os jovens não estão buscando a Ele para fazer a Sua vontade. Na hora de escolher o par conjugal não têm paciência para esperar a resposta de Deus e geralmente os jovens interpretam de acordo com o desejo de seu coração, e não de acordo com o coração de Deus. Se o casal erra na escolha deve arcar com as consequências. Não é justo que as famílias, especialmente os avós, assumam os erros dos filhos. A Bíblia nos diz que “ Cada um dará conta de si mesmo a Deus” , e que “ Cada um levará sobre si seu próprio pecado”. Não é justo que os pais paguem pelos erros dos filhos, mas… coitados dos netos!…

CONSEQUÊNCIAS – O casamento foi desfeito. Veio a separação. O casal tem filhos. O que fazer? Filhos não seguram casamentos. Qual a solução? O que se vê hoje, infelizmente, é a volta para casa. A mulher com os filhos, volta para casa da mãe; o homem, agora sozinho, volta para casa dos pais, ou vai morar só, continuando como solteiro. Em raros casos a esposa abandona os filhos com o marido. Nesse caso é ele quem volta acompanhado para a casa paterna.

É justo perturbar a paz dos pais na velhice? Claro que não. Os pais são responsáveis pelos filhos. Os avós já passaram do tempo de cuidar de criança. A própria constituição física os impede. As dobradiças estão enferrujadas…  Os avós tem dificuldades para se abaixar, não tem mais forças para segurarem os netos no colo, nem tanta flexibilidades nas pernas para correr atrás das crianças que parecem estar eternamente ligadas na eletricidade. Neto é muito bom, mas não para os avós tomarem conta, ou ficarem responsáveis por eles. A educação que os avós receberam e deram a seus filhos é diferente da educação que o casal dá à sua prole, cada casal é responsável pelos seus filhos.

Por outro lado, muitas vezes, quando os filhos voltam, a culpa é dos pais (avós); aí, então, eles têm que ajudar a “segurar a barra”!… Aos pais (avós) cabe a tarefa de preparar os filhos para o casamento. Se os pais não fizeram a sua parte, estarão sujeitos, no futuro, a receberem de volta seus filhos e netos…

Se, como acontece tantas vezes, a separação é inevitável, adaptações tem que ser feitas. Cada caso é um caso. Por exemplo, se o filho volta sozinho para a casa dos pais, ou se o filho volta com as crianças, ou se a filha volta sozinha, ou ainda, se volta com os filhos – em qualquer situação haverá uma sobrecarga de trabalho para os avós. Aumento de pessoal é igual ao aumento despesa…  Os avós não terão coragem de deixar seus filhos e netos na rua e os trazem para casa. A mãe das crianças não poderá deixar toda a responsabilidade da criação dos filhos por conta de seus velhos pais. Haverá aumento de trabalho para a mãe e para os avós.

A situação fica muito cômoda para o  pai que saiu de casa. Agora está” solteiro” novamente, diminuiu muito sua carga de trabalho, mas mesmo assim ele também terá obrigações com seus filhos: Terá que dar pensão justa, visitar e buscar as crianças nos dias determinados, e mesmo separados, o pai terá a obrigação de ajudar na EDUCAÇÃO dos filhos. A tendência das crianças que só encontram o pai no dia determinado é achar que o “Papai é bonzinho,” porque lhes faz todas as vontades. Muitas vezes quando a criança volta dos fins de semana com o pai, ela apresenta seu comportamento totalmente modificado, pois o esforço feito pela mãe durante a semana, com o filho (imposição e cumprimento de horários, tipo de alimentação, uso de agasalhos, etc.)  Para formar bons hábitos na criança, tudo é desfeito no período em que a criança passa com o pai. Pode-se acrescentar ainda, os comentários que o pai faz com a criança, contra o tipo de disciplina adotado na casa dos avós, e isso causa perturbação na mente da criança, desorganizando todo seu comportamento, podendo causar problemas maiores no futuro.

Outro fator de consequências drásticas é a superproteção que recai sobre a criança por parte dos quatro avós após a separação. Aí voltam todos os problemas que foram colocados quando se falou na falta de preparo para vida. Cria um ciclo vicioso, e pode-se imaginar que a tendência desses netos superprotegidos é também, no futuro, voltar para casa dos avós!…

Numa separação muitas vezes a mãe tem que desempenhar o papel de mãe e o de pai. A falta do pai pode causar muitos problemas na formação do caráter da criança; Na adolescência as consequências são muito piores. Muitas vezes a mãe tem que trabalhar dobrado para o sustento dos filhos, porque muitos pais irresponsáveis não assumem o compromisso de sustentar as crianças.

CONCLUSÃO – Impossível reverter a situação. Não se pode desfazer o que está feito, mas pode-se, sim, fazer uma avaliação de nossas famílias. Rever os valores morais e éticos. Preparar os filhos adolescentes para o casamento. Dialogar abertamente sobre a inconveniência de casar-se antes de estar preparado. Controlar a sexualidade segundo os preceitos bíblicos. Instruir e ensinar a criança desde o berço, dando-lhe também uma formação moral e religiosa firme. Orientar os filhos para os problemas da vida para que os erros sejam evitados. Orar com os filhos para que Deus os oriente  na escolha do par conjugal. Rogar a Deus, insistentemente, para que as famílias sejam firmadas na Rocha que é Jesus Cristo e que sejam bem estruturadas para cumprirem os desígnios de Deus neste mundo.

 

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