05/09/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Vida Cristã Tags:

O BAMBU JAPONÊS

Sobre uma Colina de Kucheng no Japão, as arvores mais valiosas são muitas vezes marcadas com o nome de seu proprietário. A maneira mais comum de conduzir a água das fontes nas montanhas para as Vilas é através de bambus ligados uns aos outros formando um longo canal.

Entre centenas de lindas arvores naquela colina, havia um bamboeiro belíssimo cujo tronco era escuro e brilhante, cujos galhos eram lindamente rendados e dançavam ao passar da brisa. Enquanto admirávamos a sua beleza, percebemos um doce baloiçar de folhas e ouvimos um leve murmúrio: “ Achais-me belo, admirais o meu esguio e gracioso tronco, mas nada tenho de que me gabar. Tudo o que tenho e sou devo ao cuidado carinhoso do meu senhor. Foi ele que me plantou aqui nesta linda colina, onde minhas raízes se aprofundaram atingiram as fontes escondidas, as águas vivificadora das quais bebem continuamente e delas recebem nutrição refrigério, beleza e força para todo o meu ser. Vedes as demais arvores na encosta, como parecem miseráveis e secas? Suas raízes não lograram alcançar as fontes a vivificadoras. Desde que eu encontrei essas fontes de nada mais careço. Observais estas letras gravadas no meu troco? Olhai mais de perto. Foram cortadas em mim. O processo foi muito doloroso. Eu não pude compreender naquela ocasião, porque estava sofrendo tanto, mas eram as mãos do meu Senhor que manejavam a faca e depois que concluído o trabalho, palpitando de alegria verifiquei que era o seu próprio nome no meu tronco. Compreendi então que sem sombra de dúvida ele me julgava de muito valor e muito me amava,  de modo que, desejava que todo mundo soubesse que eu lhe pertencia. Posso muito bem ufanar-me de ter tal Senhor”.

No instante que a arvore assim nos falava, voltamos o olhar e vimos, ao lado , aquele a quem se referia ela. Ele olhava a arvore com muito amor e ternura e tinha um machado. “ Eu preciso de ti”, falou, “Queres dar-te a ti mesmo a mim?

“Senhor”, respondeu a arvore, “ Eu sou toda tua, em que te posso ser útil?  Preciso de ti ,” respondeu o Senhor, “ para conduzir água aos lugares áridos e secos”. “Mas, Senhor, como posso fazer isto? Posso permanecer nas fontes escondidas e delas beber para minha nutrição; posso levantar os meus braços aos céus e beber adas chuvas refrescantes, e assim crescer mais forte e mais belo para proclamar a todos que pertenço a Ti. Mas como posso eu dar água aos outros, eu que bebo unicamente o que é necessário para mim. Que possuo eu que possa dar aos outros?

A voz do Dono tornou-se extraordinariamente doce, que respondia: “Posso usar-te se o permitires. Quero para tal, cortar-te rente ao chão, tirar todos os teus galhos, deixando-te despido e nu; quero raspar-te  o tronco e depois levar-te para longe deste lindo lugar, desse lar feliz, dessa doce camaradagem com as outras arvores, sozinho, largando para uma outra encosta onde não haverá ninguém que murmure doces palavras ao teu ouvido. Lá só há gramas sem beleza. Sim, eu quero usar esse machado doloroso para cortar-te o coração, e  tirar tudo o que dele há, até que se faça nele um canal aberto por onde corra a minha água. “Morrerei”, Tu dizes, “Sim, morrerás, minha arvore, mas a minha água vivificadora correrá livre e incessantemente através de ti. Tua beleza perecerá, certamente. Daqui em diante ninguém mais levantará os olhos admirados para ti, mas muitos se abaixarão e beberão das águas que conduzirás a Ele. Talvez não pensarão em ti, Mas bendirão a mim, por tua causa. Estás pronta para isto  minha arvore? “

Prendi bem a respiração, par ouvir bem a resposta que seria dada. “ Meus Senhor, tudo que tenho é teu, se tens necessidade de mim, alegremente te dou a minha vida. Se somente através de minha morte a água pode atingir os outros, consinto em morrer. Sou Tua. Toma-me e usa-me conforme a tua vontade, meu Senhor”.

E a face do Senhor se mostrou ainda mais terna quando ele tomou o agudo machado e com repetidos golpes lançou a arvore no chão. Ela não se queixou, mas submeteu-se a cada golpe, dizendo docemente: “ Meu Senhor, faze a Tua vontade”. E o Dono ainda tomou o machado e golpeou-o até  que os galhos foram cortados e a glória da arvore , sua linda coroa de elegantes folhas se perderam para sempre. Agora então  a arvore estava despida e nua – mas a luz do amor tornou-se mais viva no rosto do Senhor quando Ele tomou o restante do bamboeiro sobre o ombro e por entre os soluços das outras arvores levou-o para longe, muito longe da colina. Mas a dócil arvore prosseguiu consentindo no que o Senhor lhe fazia, dizendo sempre: “ Tua vontade seja feita”.

Chegando há um desolado e ermo lugar, o Senhor parou novamente e em sua mão tomou uma afiada e estreita faca, com ponta aguda, e desta vez enterrou-a direto no coração na arvore – porque Ele queria esvazia-lo para fazer um canal para as águas e só através de um coração quebrantado e limpo elas poderiam correr para a terra sedenta. Com tudo a arvore não se rebelou, mas murmurou com o coração ferido: “ Seja feita a Tua vontade meu Senhor”. Então o Mestre com o coração cheio de amor e mais terna compaixão estampada na face, deu golpes dolorosos e não os poupou, e o agudo fio de aço fez seu trabalho firmemente até que tudo o que não era  útil foi cortado, e o coração da arvore ficou aberto de ponta aponta e o coração do Senhor ficou satisfeito.

Então, outra vez, Ele levantou-a e ternamente a carregou  ferida e sofrendo, para um lugar, ainda não notado onde uma fonte de águas cristalinas manava.  Ali, deitou-a no chão, com uma extremidade exatamente dentro da fonte de águas salutares. E as águas de vida correram pela arvore de ponta a ponta através do caminho aberto pela afiada faca – uma suave corrente fluindo, sempre fluindo, nunca cessando. E o Senhor sorriu satisfeito.

Outra vez o Senhor voltou a colina e buscou outras arvores para auxiliares. Algumas se esquivaram temendo a dor, mas outras entregaram-se com completa rendição: “ Nosso Mestre, faze a tua vontade: Nós confiamos em Ti”. Então Ele as levou uma a uma pelo mesmo caminho doloroso, e deitou-as ao comprido,  e enquanto cada arvore  era colocada na sua posição, a pura e  viva corrente, fresca e clara atingiu a árida terra  onde homens e mulheres cansadas que por muito tempo estavam sedentos e beberam e apressaram-se a levar as novas aos outros – “ A água tem chegado finalmente – a longa e triste penúria se foi – Vinde e bebei”.

Então o Senhor voltou-se para a sua arvore e amorosamente perguntou: “ minha arvore, estás arrependida por causa da solidão e sofrimento? É muito alto o preço de dar água ao mundo?” E a arvore replicou: “ Não, meu Senhor, mil vezes não! Tivesse eu mil vidas, e voluntariamente, alegremente eu as daria todas a ti, pela benção de saber, como hoje sei, que tenho ajudado a fazer-te alegre…”

                                       Extraído…

 

 

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