09/12/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Criança, Jovem Tags:,

“O PAPEL DO PAI”

PÁGINA ESCRITA PARA  O AMIGO A. ESTRELA

POR ILMA VIEIRA SILVA

 

Michael Lamb em “The hole of the Father in Child Development”. (Edited by Michael B. Lamb. University of  Wisconsin Madison) conclui que os pais têm um importante papel a desempenhar com seus filhos  – um fato que tem sido freqüentemente ignorado no passado.

Shakespeare, no século XVI,  já escrevia que “é sábio o pai que conhece o próprio filho”. Esse conhecimento é o ponto de partida para um futuro bom relacionamento entre pai e filho.  Como  pode um pai conhecer o filho se está privado de conviver com ele, ou mesmo visitá-lo, ou, melhor, quase não poder vê-lo?

Michael Lamb  apresenta vários trabalhos desenvolvidos por estudiosos e pesquisadores como John Nash, Henry B. Biller,  Michael Lewis e Marsha Weinraub, Esther Blank Greif, Norma Radin e outros, sobre o importante papel do pai no  desenvolvimento dos filhos  desde os primeiros dias do seu nascimento.

Após o nascimento  a tarefa de criar os filhos é dos pais e não dos avós.  A nova família é responsável por aquele ser que trouxeram ao mundo.  As famílias dos pais, naturalmente, desempenham o seu papel, mas a responsabilidade é dos pais.  O papel do pai não se restringe a dar o sustento apenas, mas o lado emocional da criança deverá ser suprido também por  ele.

Pais e mães desempenham papéis diferentes na vida da criança.  De acordo com os estudos de Lamb as mães se ocupam em tarefas convencionais – cuidados físicos e brincadeiras tranqüilas; os pais iniciam diferentes tipos de brincadeiras, e Lamb aponta que as crianças preferem brincar com seus pais porque eles respondem mais positivamente quando os pais iniciam as brincadeiras do que quando as mães o fazem.   Também ele comprova que  a crianças preferem ser ajudadas por seus pais,  é claro, desde que os pais freqüentemente  as chama para brincar, enquanto que a mãe freqüentemente se ocupava em cuidar delas.

O “attachment”, a ligação afetiva entre pais e filhos só se dá se houver proximidade – presença -, onde se desenvolva um relacionamento afetivo das crianças  com o progenitor.   Como uma criança pequena receberá amor de seu pai se este não puder colocá-la no colo,  afagá-la, acariciá-la. Como demonstrar-lhe amor, se estiver distanciado dela?   No primeiro ano de vida se formam os elos afetivos que a criança  carregará por toda a vida.  É imprescindível que a criança desenvolva esse elo, essa ligação com o pai, que será sempre o “modelo”   para identificação dessa  criança.  Como pode uma criança ser privada do amor do seu pai, se o amor  é a base de todo o desenvolvimento emocional de um indivíduo?

Para impedir que um pai visite ou conviva com seu filho  é preciso provar que este está influenciando de forma negativa o desenvolvimento dessa  criança tão nova, com apenas nove meses.  É necessário que essa comprovação seja feita por profissional da área (psicólogo) para provar se a criança está passando por problemas físicos ou psicológicos por causa da presença do pai, ou se o problema apresentado pela mãe é apenas um desejo  seu de afastar a criança do pai..  Como um médico pode afirmar que a criança apresenta determinado distúrbio, de sono ou de comportamento apenas pela palavra da mãe que quer afastar a criança do seu pai?

Por que impedir que o pai leve  o filho para sua casa, onde terá mais liberdade de brincar com ele, estar em contato com os avós paternos, etc., e por que limitar a visita do pai somente à casa da mãe?

Através da ligação com o pai a criança aprende a trabalhar, a brincar, a amar e a viver.  Ela forma na infância a imagem do que é ser gente grande.

Uma plantinha precisa de água e luz para desenvolver-se assim como as crianças também  têm necessidades específicas para o mesmo fim.  Pai e mãe precisam dar apoio, carinho e liberdade para que a criança possa ter um desenvolvimento saudável.  As crianças precisam de amor, carinho e ternura para sentir-se felizes com seus pais.

Mães que usam o marido como um “bicho papão” ameaçador estão cavando um abismo entre a criança e seu pai, o que, principalmente nos primeiros  anos pode prejudicar bastante o desenvolvimento da personalidade dos filhos.  O pai deve ser,  antes de mais nada, um amigo com quem se pode brincar.    As crianças sentem necessidade de se divertir junto com ele, de fazer coisas em sua companhia.  Transformar o pai numa ameaça sempre presente é roubar-lhe este prazer.

Numa família em que o pai está presente, é ele quem transmite aos filhos e filhas os padrões de comportamento vigentes na sociedade.  Seu exemplo e sua autoridade são  decisivos na formação da personalidade da criança.  É através do pai que ela costuma formar as primeiras imagens sobre o mundo que está fora  dos limites do grupo familiar.

A falta de uma influência masculina pode sempre representar um elemento negativo no desenvolvimento intelectual  e emocional da criança.  A ausência do pai pode se transformar numa fonte inconsciente de insegurança

“O pior que pode  acontecer para os filhos é verem-se transformados em instrumento de chantagem emocional na briga entre os pais, atirados de um lado para o outro como petecas.  Essa situação coloca dilemas terríveis para as crianças mesmo as de mais tenra idade, todos os psicólogos são unânimes em afirmar que isso deve ser evitado a qualquer preço  Durante o processo de separação a criança fica sujeita a tensões cujo grau dependerá da sua idade e personalidade e das circunstâncias em que ocorre a separação.  Em casos extremos, ela pode chegar à adoecer fisicamente, ter pesadelos, recomeçar a urinar na cama, ficar anormalmente irritável e com tendência a se apegar ao pai, à mãe ou a ambos”.   Isso pode ocorrer  realmente, porque a criança, mais que o adulto, percebe situações conflitantes dentro de casa, ouvindo comentários mesmo, incapazes de compreendê-los, mas percebendo os problemas mais que uma pessoa adulta, causando-lhes instabilidade emocional e transtornando seu comportamento.  Nessa pesquisa, foi observado que pela maneira como os pais enfrentam o problema da separação pode conduzir à delinqüência, porém quando o casal divorciado continuava a manter relacionamento amistoso  as crianças enfrentavam a separação de forma  mais positiva.  

Livro da Vida – vol 2  – Ed, Abril Cultural

Consultores de Psicologia – Ana Maria Poppovic

 

 

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