16/04/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Jovem, Uncategorized Tags:,

PARA ALCANÇAR UMA JUVENTUDE AJUSTADA

“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais; porque isso é agradável ao Senhor”  . Col.3:20

A adolescência é um período difícil por que passam todos os indivíduos. É um período de mudanças   radicais:  Físicas (biológicas e hormonais), sociais (mudanças de status, grupos), e psicológicas (passam de criança para adulto. Kurt Lewin chama esse período de “locomoção social”, pois deixam comportamentos infantis para aprenderem comportamentos adultos.

Deixam a infância, o lar, e a escola, onde receberam muito amor e afastam-se para um mundo maior, deixando muita coisa para trás. Enfrentam o amadurecimento físico e biológico, que independe do indivíduo  que nada pode fazer para mudá-lo. À medida que amadurece fisicamente também surgem as mudanças psicológicas e as emocionais; mudam as  percepções  do meio familiar e social quando são feitos novos ajustamentos e adaptações à vida adulta.

O  adolescente vai OBSERVAR o comportamento dos outros, OUVIR tudo o que dizem e IDENTIFICAR-SE com aquilo que acha que lhe será útil na vida e que virá satisfazer suas necessidades de segurança, autonomia, poder, etc.  Nessa fase o adolescente  vai lutar para encontrar sua autoidentidade  e autoafirmação buscando a formação do próprio Eu.

Ainda na infância, na convivência com pais e irmãos a criança se  identifica como masculino ou feminino de acordo com os modelos que lhe são apresentados no dia a dia. Imitam os pais e irmãos  e adotam os comportamentos  aprendidos  na família. Quando  chegam à adolescência descobrem um novo mundo, bem maior do que  o mundo da família e vão  conviver com pessoas bem diferentes do seu grupo familiar e novos modelos  lhes são apresentados e então querem ser “eles mesmos”, descobrindo seu próprio “EU”.

A adolescência é a época de decisões. Há uma pequena estória que li sobre dois jovens que queriam zombar de um velho: “Pegaram um passarinho e foram perguntar ao velho se o passarinho estava vivo ou morto, e combinaram: se ele disser que está vivo, aperto o passarinho e o mato, se ele disser que está morto, abro a mão e solto o passarinho, e assim zombaremos do velho…”  Ao perguntarem ao velho se o passarinho estava vivo ou morto  o velho sabiamente respondeu: “Ele estará vivo ou morto, dependendo da sua vontade. Sua vida está em suas mãos, fará dele o que quiser…”

Adolescente, sua vida está em suas mãos, fará dela o que você quiser. Você terá que tomar decisões, e existem três decisões muito importantes que você terá de tomar.  A primeira delas é: 1) que farei de Deus? Aceitá-lO ou rejeitá-lO? A segunda é 2) Que farei da minha vida, que profissão seguir?  E a terceira é 3) Com quem me casarei . Para tomar decisões certas você precisa conhecer-se.

PRIMEIRO PASSO – O primeiro passo é aceitar-se como você é. Os pais são muito importantes em fazer com que seus filhos se conheçam e se aceitem como são. Pais tem que reconhecer que seus filhos têm VALOR, saber valorizá-los com palavras de estímulo, elogios merecidos, descobrir seus dons e capacidades e fazer com que eles desenvolvam esses dons com que Deus os agraciou. Mostrar-lhes sempre suas qualidades e apontar-lhes  os defeitos, com amor,  para que eles tenham desejo  de melhorar seu comportamento e sua vida. Mostrar-lhes que a vida toma novo sentido quando a adolescência surge, pois esse é um período de mudanças radicais  e que seu corpo e sua vida vão sofrer mudanças para adaptar-se à nova vida.

Deus criou as pessoas todas com sua própria individualidade, por isso os pais devem evitar  fazer comparações com outras pessoas e com os próprios irmãos, pois Deus criou cada um de acordo com sua vontade e todas as coisas foram feitas para a honra e glória de Deus.

Deus o fez único e ninguém é igual a você, e agora, na adolescência você está sofrendo mudanças profundas em todos os aspectos de sua  vida. Não é criança nem adulto, quer deixar de ser dependente de sua família, mas você ainda não é independente; sabe dirigir o carro mas  ainda nãotem carteira. Rebela-se contra  a autoridade dos pais mas ainda não tem maturidade para dirigir sua vida. Obedecer torna-se difícil para o adolescente porque na busca de si mesmo, do seu próprio  EU, não aceita a disciplina imposta pelos pais, então rebela-se…  Então você precisa uma dose maior da dependência de Deus para que Ele o ajude a aceitar-se de acordo com a Sua vontade.

É realmente um período de adaptações: Porque cresceu demais acha que tamanho é documento e que todos têm que fazer a sua vontade. Imaturo  ainda, não sabe o que quer realmente para sua vida.  Muitos pensamentos  fervilham na sua mente difusa e fica cheio de dúvidas e incertezas quanto ao futuro  e não sabe ainda o que é certo ou errado.

E ainda existem outros problemas: você ainda não aprendeu a  lidar com sua sexualidade; não tem certeza quanto a sua vocação e quanto ao casamento. Revolta-se contra leis e ordens, mas terá que obedecê-las durante o resto de sua vida. Ninguém pode fazer o que  quer na hora  que quer. Aumentam suas  dificuldades de relacionar-se  com seus  pais e pessoas mais velhas, porque são  os considera  “quadrados”.

Para que haja um ajustamento á vida adulta o adolescente precisa aceitar numa boa esse período de mudanças procurando tirar  o melhor proveito possível das situações e incorporar estes proveitos  á sua  experiência aumentando, assim, sua possibilidade de um melhor ajustamento á vida.

SEGUNDO PASSO – Para se conhecer melhor  você precisa conhecer as mudanças que ocorrem no seu organismo e aprofundar seu autoconhecimento para aceitar melhor as mudanças físicas,mentais, emocionais, sociais e espirituais.

Mudanças físicas  – dos 9 aos 12 anos os meninos gostam de fazer coisas, são  fortes, saudáveis, gostam de lutar amam o ar livre e o campo e gostam de competir.

Dos 13 aos 16 anos os meninos crescem rapidamente; tem grande apetite,  períodos alternados  de   energia e fadiga, são desajeitados, podem ser levados a experimentar drogas e álcool.

Mudanças mentais –  Dos 9 aos 12 anos  -Têm boa memória, podem raciocinar, apreciam colecionar, são perguntadores, gostam de ler e escrever.

Dos 13 aos 16 – Têm mais dificuldade para memorizar, gostam de aventuras e descobertas, gostam de questionar, fazem julgamentos apressados,  são criativos e idealistas.

Mudanças sociais – Dos 9 aos 12 – Podem aceitar responsabilidades. Não gostam de autoridade, meninos e meninas gostam da turma, é fã de heróis;

Dos 13 aos 16 anos – Querem ser considerados crescidos e independentes dos adultos, têm forte senso de lealdade, são fãs de heróis, gostam de seguir o líder,  querem aprovação dos outros, gostam de ajudar, forte atração  pelo sexo oposto;

Mudanças emocionais –  Dos 9 aos12 – Têm poucos receios, são temperamentais, não gostam de demonstrações, gostam de humorismo.

Dos 13 aos 16 anos – As emoções  vacilam, podem guardar seus sentimentos, sentem-se incompreendidos, não  podem controlar emoções, gostam de humorismo.

Mudanças espirituais – Dos 9 aos 12 anos – Têm noção decerto e errado; religião é importante; época de conversões;  Curiosidade sobre cristianismo e religião.

Dos 13 aos 16 anos – Religião é pessoal; quer uma religião prática; Religião é emocional (crises); procura um ideal.

TERCEIRO PASSO – Aceitar as cobranças – O adolescente é um eterno devedor. Ele não é culpado das mudanças pelas quais está passando e está sempre pagando por elas. Todo o comportamento do adolescente reflete estas mudanças e é por isso que ele está  sempre sendo cobrado e por isso o adolescente se sente um devedor. É cobrado de todos os lados.

Família – Falta de comunicação  em casa. Não existe diálogo “Meus pais não conversam comigo”, ou “Tenho procurado meus pais para conversar… “São uns quadrados…” , “Tenho procurado mostrar-lhes meus pontos de vista…” “Não respeitam minhas vontades”… e você, tem respeito pelos seus pais?

Respeito – é a ação ou efeito de respeitar ou respeitar-se. Os pais precisam respeitar a individualidade de seus filhos para serem respeitados também. Precisa haver consideração, modo de ver, motivo, razão, apreço, atenção, acatamento, deferência, obediência, submissão, boa relação, temor… O adolescente quer ser respeitado nas suas opiniões, mas ele também  precisa respeitar seus pais.

Obediência –  Ato ou efeito de obedecer. Submissão á autoridade  legítima.  Disposição para obedecer. Hábito de obedecer; autoridade, domínio. Aquiescência, docilidade,  dependência, ato de acatamento á vontade de outrem como vinda de Deus.  A família cobra obediência (Col. 3:20) em tudo.  A desobediência foi o primeiro pecado cometido no Jardim do Eden, e até hoje estamos pagando por isso. Em busca da autoafirmação  o adolescente não gosta de obedecer. “Obediência já era”, tornam-se rebeldes quanto á autoridade dos pais. Como  crentes devemos seguir a Palavra de Deus (Co. 3:20), aceitar a autoridade  dos pais como vinda de Deus.

Autoridade – foi concedida aos pais por Deus para exercerem disciplina. Mas muitas vezes os filhos reagem à autoridade e   á disciplina porque os pais não sabem também exercer a disciplina de maneira correta. Hoje o mundo é diferente do mundo em que viveram nossos pais, por isso é difícil conciliar a era atual com a era passada, mas os  pais devem exercer seu papel com firmeza, mas com muito amor. É difícil fazer tudo corretamente, mas o AMOR cabe em qualquer lugar, e a orientação, correta deve ser buscada na Bíblia pois ela aponta sempre o melhor caminho a ser seguido,  pois o mesmo Deus de ontem é o mesmo de hoje, e a Sua Palavra é a mesma.

Arrumação – Organização nas suas coisas: roupas, sapatos, livros, etc. Muitos problemas seriam resolvidos se os filhos cooperassem nesse aspecto.  Ajudar em casa, ter responsabilidade com os pais. Não esperar sempre  por eles, mas ajudá-los naquilo que for  solicitado. Ir ao Banco, fazer  pequenas compras,  arrumar a cama, lavar o banheiro, etc. Ser responsável é um bom começo.

Estudos –  Na escola o adolescente é cobrado pelos pais, professores, direção, etc. Por causa das “mudanças”, tudo vai passar. Mas o problema é que os adolescentes deixam sempre para depois: no ano que vem, no próximo  semestre, etc. e continuam sem estudar e sem assumir os compromissos, e depois  vem a reprovação… Não têm responsabilidade, esquecendo-se que o tempo não volta. Os pais pensam no futuro, mas os adolescentes, de modo geral não param para pensar nisso. Os pais cobram boas notas porque os colégios estão caros e os filhos tem que aproveitar bem o dinheiro que os pais empregam nos seus  estudos.  Quando sentam para estudar um pouquinho acham que já sabem tudo, que já estão cansados, e vão deixando para depois as tarefas…

Horários – Geralmente os filhos   seguem o exemplo dos pais no cumprimento dos horários, muitos pais não se preocupam muito de chegarem um pouco atrasados nos seus compromissos, mas devem lembrar-se que são exemplos para os  seus filhos e o cumprimento de horários faz parte da boa educação e da vida. Muitos adolescentes não adquiriram o hábito de cumprir horários e muitos precisam até que os pais  os acordem pela manhã e os lembrem de todos os seus compromissos: a independência  é adquirida desde a infância, acostumando-se aos horários.

Igreja – Os pais são responsáveis pela educação religiosa  dos seus filhos. Não podem deixar para a Igreja esta responsabilidade. Para isto os pais tem que ser frequentadores, ensinar-lhes os princípios bíblicos, educá-los nos  caminhos do Senhor, para isso tem que ensinar-lhes pontualidade, responsabilidade com compromissos, comportamentos adequados. Como os adolescentes gostam de rir e brincar eles precisam discriminar o lugar apropriado  para estes comportamentos.  Para isso os pais tem que dar o exemplo.

QUARTO PASSO – Colocar-se no lugar dos seus pais. Mudar sua maneira de perceber. Se o adolescente esforçar-se um pouco para compreender suas mudanças, seu autoconhecimento, aceitar-se e aceitar as cobranças ele estará caminhando para a maturidade de uma forma bastante positiva.

Em último lugar, gostaria de alertar para a maneira como olhamos nossos pais; será que a perspectiva dos pais   é a mesma dos adolescentes? Olham pelo mesmo prisma? Os adolescentes olham  para a frente, buscando o desconhecido. Os pais olham para a frente e para trás para ajudar os filhos nesse caminho desconhecido, mas com algum conhecimento do que os espera no futuro.  Se os filhos  pudessem se colocar no lugar dos pais eles dariam mais razão ás “rabugices” dos velhos…

 

Quando  você se sentir angustiado, revoltado, não aceitando  determinadas atitudes  dos seus pais, parem um pouco  para refletir sobre tais atitudes e se coloquem no lugar deles para achar uma saída para os conflitos.  Não há nada que ajude mais a melhorar um relacionamento do que colocar-se  no lugar do outro…  Deve-se buscar  compreender  o que o outro está sentindo, colocar-se no lugar dele, para encontrar soluções.  Os filhos nunca devem  se esquecer  que os pais os amam e que tudo o que fazem é por amor  – ás vezes erram, mas porque amam, também devem ser perdoados.

Conclusões finais :

Pais precisam valorizar os filhos;

Elogiá-los formando neles um autoconceito positivo;

Respeitá-los na sua individualidade;

Confiar  neles;

Amá-los;

Servir-lhes de exemplo.

  • Pais esperam ser compreendidos pelos filhos
  • Pais amam os filhos e querem ser  amados por eles
  • O bom relacionamento familiar vai depender de diálogo e mente aberta
  • Amor acima de tudo – Só saberemos  amar se estivermos  ligados á fonte do AMOR, que  é Deus.
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