23/08/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Jovem, Mulher Tags:, ,

QUANDO O NINHO FICA VAZIO

Crianças correndo pela casa, brinquedos espalhados pelo chão, risos alegres, quedas, choros, muitas vezes brigas entre irmãos… Uma criança no berço reclama a presença da mãe: fraldas, roupinhas de neném, shorts, camisetas, vestidos da filha adolescente, livros, cadernos, material escolar, merendeiras, uniformes, meias, tênis, raquetes, bonecas, carrinhos, bolas, etc.  A casa parece uma colméia com abelhas esvoaçantes e zumbidoras.

Mamadeiras, suquinhos, almoço, jantar, leite, mingaus, sopas, saladas…  A família é grande: pai, mãe, filha entrando na adolescência, menino de 6 anos na pré-escola, menina de 4 anos indo à escola pela primeira vez, neném de um mês…

Ninho cheio. O dia começa cedo: café da manhã, ida para a escola, pai saindo para o trabalho, mãe fica em casa: lava, passa, cozinha, cuida do neném, arruma a casa, prepara o alimento e espera a turma para o almoço.  A rotina é a mesma. Pai volta ao trabalho, mãe recomeça atividades domésticas além de acompanhar as tarefas escolares, conversar com as crianças, tirar dúvidas os deveres de casa, orientar o menor que ainda não formou o hábito de estudar. Preparar o lanche, cuidar do neném, adiantar o jantar, dar banho nas crianças, jantar, fazer o cultinho antes de dormir, cuidar do neném, dormir… No outro ia tudo de novo… Quantos dias? Quantos anos?

Pai e mãe continuam na mesma rotina após ano.  Um dia  a filha mais velha se casa, pouco depois o segundo filho faz o mesmo.  Mais alguns anos e vai-se também o terceiro.  O ninho vai ficando vazio.  À medida que o lar paterno se esvazia a luta diária vai se tornando diferente também.  Agora o pai está aposentado e o casal vive com o caçulinha.  Um belo dia esse também deixa o lar para formar sua própria família.  E agora? O ninho está vazio. Acabou a correria, acabou o barulho…

Cada filho está cuidando de sua própria casa.  Tudo o que acontecia antes na casa dos pais está acontecendo agora com os filhos.  Os  pais estão sozinhos novamente como quando se  casaram, mas a vida agora é diferente.  Como enfrentarão os anos de solidão? Há pessoas que têm medo da solidão, não querem ficar sozinhas. Por que? Talvez não se considerem boas companhias…  Se você não gosta de ficar a sós com você mesma, quem gostará?  A solidão é uma realidade que deverá ser enfrentada.  É preciso desenvolver um bom relacionamento com os genros, as noras e os netos visando os anos futuros.

                Quantas de nós estamos preparadas para enfrentar o ninho vazio?  Como estará seu marido daqui a 40 anos?  Você está se preparando para enfrentar a fase do ninho vazio? Você cultiva amizades?  Desenvolve o hábito de boas leituras, boa música?  Sabe fazer trabalhos manuais?  Gosta de escrever cartas?  Sabe usar o computador?

                Algumas pessoas gostam de ficar sozinhas e querem viver assim.  Outras têm medo da solidão e não querem nem pensar em velhice e é sabido que as pessoas solitárias desenvolvem mais freqüentemente enfermidades físicas e até morrem mais cedo e isso ninguém quer… Por isso é necessário que as pessoas se preparem psicologicamente para enfrentar os dias quando o ninho ficar vazio.

          Será bom que os casais construam, desde o início da vida conjugal e durante o período da criação dos filhos uma relação estável e permanente para que possam enfrentar juntos os momentos de estarem sós.  Essa relação estável tem como base a compreensão mútua que é fundamental para todo e qualquer relacionamento.  É tão importante quanto a comunicação;  na compreensão você desenvolve a empatia que é a capacidade de entrar na mente e no coração de oura pessoa.

               A comunicação também é essencial para que os relacionamentos se tornem  duradouros, mas ela não se restringe apenas à expressão verbal, vai mais além.  Não inclui apenas a mente, mas também o coração.  Para que o casal se conheça de verdade,  os  sentimentos e pensamentos precisam ser expressados.  Em I João 3:18 lemos que “no amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor”.  Abrir o coração um para o outro é sinal de confiança mútua e isso não acontece repentinamente, é fruto de uma convivência íntima de muitos  anos.; porém existem casais já idosos que não se conhecem porque não desenvolveram essa confiança. É preciso que haja liberdade para cada um expressar livremente seus pensamentos e sentimentos, pois cada personalidade tem que ser desenvolvida sem repressões.  Quando um cônjuge exerce pressão sobre o outro ele dificulta a liberdade de expressão, prejudicando o desenvolvimento da personalidade como um todo.  O lar é o lugar onde personalidades diferentes têm que ser desenvolvidas para um ajustamento mútuo. O casal deve falar abertamente de seus temores, tristezas, solidão, etc., para que os conflitos sejam resolvidos.

            Para envelhecer juntos, de uma forma positiva, o casal tem que ter tido um preparo, um armazenamento de coisas boas e alegres que venham trazer novamente momentos prazerosos.   Muitas vezes, é nesse período que surgem  as más recordações, as mágoas, os ressentimentos, os sentimentos de culpa (pelo que fizeram ou deixaram de fazer), etc., que vão piorar ainda mais o tempo quando terão de enfrentar o ninho vazio.

             Seria bom que os jovens casais se lembrassem sempre das boas coisas e se esquecessem das ruins.  A esposa precisa fazer com que o esposo sinta falta dela e vice-versa, não só em termos materiais  como afetivos e espirituais.  É preciso cultivar o companheirismo enquanto o ninho estiver cheio e permanecer depois que o ninho ficar vazio.

             É necessário encarar com realidade e respeito as fraquezas mútuas, as atitudes e padrões de comportamento, procurando ser sensível às necessidades um do outro, pois se houver um interesse pessoal certamente deixará de existir o sentimento de solidão quando a velhice chegar. É bem verdade que a perfeição não existe, mas mesmo reconhecendo as imperfeições, o casal deve ter os mesmos objetivos, alvos e interesses, ideais e   crenças para fortalecer mais e mais os laços do companheirismo.  Assim unidos haverá mais paciência, amor, compreensão para a solução dos problemas que haverão de enfrentar.

             Os jovens casais devem se preparar para  esse futuro.  Eis algumas sugestões que poderão ser utilizadas desde já, como uma preparação para enfrentar o ninho vazio:

             –  Cultivar sempre o bom humor;

             – Fotografar bastante os filhos com os pais;

             – Filmar e classificar os álbuns e as fitas em ordem cronológica sempre anotando os lugares e as datas em que foram feitas as fotos e as fitas;

             –  Ter “uma pasta de recordações” em que você possa guardar recortes de jornais, boletins de igrejas, cartões de aniversários, lembranças das crianças quando pequenas;

             – Escrever todas as coisas engraçadas que acontecem com vocês ou com as crianças junto com as datas dos fatos.  Quando eu estava ensinando o meu filho o versículo “Guarda o teu pé quando entrares na casa do Senhor”, ele repetiu para mim: ”Quando entrares na casa do Senhor esconde o teu pé como a tartaruga…”

             – Cultivar as amizades atuais mantendo contato por telefone ou cartas, ou  e-mail, atualizando endereços para contatos no futuro;

             – Ter sempre uma lista de nomes e endereços de obreiros de Missões Nacionais e Mundiais com as datas de aniversários para o envio de mensagens ou cartas;

             – Ter uma lista de aniversários de pessoas amigas para telefonar-lhes naquele dia;

             – Visitar pessoas em hospitais onde existem sempre doentes que nunca recebem visitas;

             – Visitar creches e orfanatos levando brinquedos, roupas, balas para aquelas crianças que nunca tiveram um ninho;

             – Sorrir para as pessoas. Não custa nada e alegra a quem recebe o sorriso: “Um sorriso pode tirar alguém da solidão”.

             – Copiar versículos da Bíblia em pequenos cartões e durante a caminhada matinal (que  todos devem cultivar), entregar esses cartões às,pessoas que encontrar;

             – Cultivar plantinhas em casa ou no apartamento. Algumas se adaptam facilmente em pequenos vasos.

             Finalmente, quando o ninho fica vazio existe alguém que é perfeito para nos ajudar a enfrentar a solidão. Jesus é o amigo leal que nunca nos abandona.  Ele tornou-se humano para nos ensinar a conviver com ele e com os outros.  Quando os cônjuges mantêm-se unidos espiritualmente o ninho não fica vazio, pois Jesus preenche  todos os espaços vazios.  Quando existe comunhão espiritual nos relacionamentos os problemas que surgem são levados ao Senhor pelo casal para pedir sua ajuda e compreensão.  A Palavra de Deus está sempre aberta para indicar caminhos na solução de conflitos.  Os doía corações unidos por Deus se tornam um só coração para enfrentar as dificuldades.  Ele está sempre presente para guiar e orientar nos momentos de solidão.

             Bibliografia:

             Jeremiah, David. Superando a solidão – Ed. Candeia, 1ªed. 1992

             Purnell, Dick. Como construir um relacionamento duradouro – Ed. Candeia,  1ª  ed. 1993.

         

 

 

 

 

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