28/05/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Palestras Tags:, , , , , ,

RELACIONAMENTOS

INTRODUÇÃO –  O mundo é uma aldeia global e não se pode descartar a importância das boas relações entre as pessoas.  É impossível  viver sem os outros.  A socióloga Irene Melo Carvalho escreveu que para nascer, o indivíduo precisa de duas pessoas – o pai e a mãe,  e para morrer, precisa pelo menos quatro para levar o caixão…

 

Os nossos alimentos nos chegam à mesa porque muitas pessoas contribuíram para isso.  Já pensou quantas pessoas trabalharam para comermos um pão?  Quantos se uniram para limpar o terreno, semear a semente, colher, debulhar, torrar e  fazer a farinha do trigo?   E o trabalho do padeiro? E o forno, quantos contribuíram para fazer os tijolos,  a lenha ou a eletricidade para que  se assasse o pão?  E até ele chegar à nossa mesa?  Muita gente trabalhou…  E na área das roupas?  O trabalho para plantar o algodão, ou o linho, ou tirar os fios da seda do casulo, tingir, fabricar o tecido e depois fazer as roupas… e assim por diante.

 

O mundo é uma aldeia global em que todos devem trabalhar para o bem comum, e todos sabem que o “homem não é uma ilha”… Se temos que viver dependendo de tantas pessoas por que não conviver bem?  É nosso dever procurar o bem-estar dos que estão à nossa volta, sabendo que nós também, de certo modo, cooperamos para o bem-estar dos outros,  É fácil viver, mas como é difícil conviver!

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Existem quatro aspectos importantes que devem ser levados em  consideração quando nos referimos  ao relacionamento entre as pessoas.O primeiro aspecto que se deve levar em conta é aquele relativo à ACEITAÇÃO DAS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS.  A Bíblia nos mostra que Deus criou “macho e fêmea”.  As  diferenças individuais começam aqui. O papel do homem  e o da mulher são diferentes,  assim como são diferentes as capacidades quando se leva em consideração os talentos de cada um.

 

Não existe uma pessoa igual a outra por enquanto (a clonagem vem aí..).  Os gêmeos univitelinos são as pessoas mais parecidas entre si.  Obrigatoriamente os gêmeos univitelinos terão o mesmo sexo,  o mesmo tipo de sangue, a mesma cor dos olhos, da pele e do cabelo; o mesmo potencial de altura, peso e inteligência, mas mesmo com tantas semelhanças, apresentam também diferenças,  por exemplo, se um deles tiver um sinal ou mancha de um lado do corpo, o outro a terá do lado oposto;  o repartir do cabelo também é diferente, e o que dizer das impressões digitais?  Não existem duas iguais.  Existem também diferenças nas íris dos olhos.  Se todas as pessoas são diferentes, o que fazer? O primeiro passo é ACEITAR AS DIFERENÇAS.  É fácil dizer que aceita as  diferenças, mas será que aceita mesmo?

 

A carga genética que cada indivíduo recebe na hora da concepção fica em torno de 8.388.608 combinações de gens advindos do óvulo materno e do espermatozóide  paterno.  Isso é herança genética, mas tudo o que  ocorre depois da concepção é fruto do  meio ambiente.

 

As pessoas vivem no meio ambiente e este tem grande influência na  vida das pessoas, acentuando as diferenças individuais.  Cada pessoa recebe do  meio aquilo que vai  influenciar na formação da sua personalidade e do seu caráter.  A maneira como as pessoas recebem, encaram e resolvem seus problemas, especialmente na infância  podem determinar comportamentos bem aceitos ou não, de acordo com as aprendizagens que usaram para a solução de pequenos conflitos ou dificuldades que enfrentaram na infância.

 

Os filhos são diferentes entre si, como os dedos da mão.  Os pais precisam aceitar essas diferenças e apresentar formas diferentes de disciplina, correção e ensino, para que  cada filho desenvolva sua individualidade e venha a se tornar um adulto ajustado.  Quando os filhos são respeitados na sua individualidade eles se tornarão adultos mais compreensivos, e desse modo terão  mais  facilidade para aceitar as diferenças individuais daqueles com os quais conviverão no futuro.

 

Pode-se observar o comportamento diferenciado das pessoas num acidente de trânsito.  Por exemplo: Imagine, um carro batido e uma pessoa caída na rua com várias pessoas ao redor. Por acaso passa ali um médico, o que fará?  Ou uma enfermeira, ou um agente de seguros, ou o dono de uma oficina, ou um padre, ou um curioso, ou o dono de uma funerária? Teriam todos o mesmo pensamento a respeito daquilo que estão vendo  ou teriam a mesma reação?  O que pensaria cada um deles, e que atitude tomaria cada um?  O médico, naturalmente verificaria os sinais vitais, e, conforme o caso, levaria para um hospital.  A enfermeira procuraria prestar os  primeiros socorros; O agente de seguros pensaria: “será que o seguro do carro está em dia?”  O dono de oficina calcularia os prejuízos; O padre estaria  pronto a dar a extrema unção; O curioso chegaria perto, olharia e sairia de lado, pensando: “Coitado!”  O dono da funerária pensaria: “Mais um, será que conhecem a minha firma?” Cada um agiria de acordo com seu interesse.  São as diferenças individuais que devem ser aceitas e respeitadas, pois cada um reage diferentemente aos estímulos.

 

O segundo aspecto relevante para um bom relacionamento é  o AUTOCONHECIMENTO. Quantas vezes paramos para pensar sobre nós mesmos? Muitas pessoas não exercitam essa qualidade.  Sócrates, filósofo grego, tinha como lema essa frase “Conhece-te a ti  mesmo”.   Será que isso é mesmo necessário?  Qual a utilidade desse conhecimento?  Quando o indivíduo pára  por alguns  momentos para pensar sobre si mesmo,  refletindo sobre suas reações diante de certas circunstâncias,  sobre as respostas que dá a certos questionamentos, como enfrenta suas dificuldades e seus problemas, como resolve situações de conflito, etc., ele  está se conhecendo, isto é, ele está fazendo uso da introspecção, que é a maneira de se auto conhecer.  A vantagem desse auto conhecimento  vai refletir na sua atitude quando vê  outra pessoa passando por problemas ou situações idênticas às que você já tenha experimentado. Quando você se conhece tem mais facilidade para compreender o outro.  Nos relacionamentos sempre é importante conhecer o outro, para que haja um entendimento melhor entre ambos.  Em Lucas 6:41 lemos: “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu próprio olho?”  A tendência humana é sempre  ver o que  há de errado no outro e não perceber seus próprios erros.  É fácil “olhar para fora” de nós, mas é muito difícil “olhar para dentro de nós mesmos”.  Quando descobrimos nossas falhas e as aceitamos podemos aprimorar nossas qualidades e minimizar ou  consertar nossos erros e aceitar mais facilmente os defeitos e os erros dos outros.  Achamos que somos perfeitos e que os outros estão errados, mas é só quando nos conhecemos melhor é que vemos e aceitamos os outros como são.

 

Faça o seguinte exercício: 1) Pense numa pessoa conhecida; 2) Escreva num papel três linhas sobre  ela, pode falar sobre suas qualidades ou defeitos. Separe este

Papel.  3) Pegue outra folha: pense sobre você mesmo, depois escreva três linhas sobre você.   Qual foi mais fácil, escrever sobre você mesmo ou sobre outra pessoa? Poucas pessoas escrevem mais facilmente sobre si mesmas.  De modo geral isso  é mais difícil .  A maioria acha mais fácil escrever sobre outra pessoa.  Isso acontece porque é mais fácil olhar para o que está fora de nós do que para dentro  de nós mesmos. Quando se desenvolve o auto conhecimento fica mais fácil observar  e compreender o outro.

 

O terceiro aspecto básico para um bom relacionamento com as pessoas é o que se refere à COMUNICAÇÃO.  Como conviver sem se comunicar?  A linguagem deve ser  usada para comunicar,  de forma que o outro entenda o que você diz.  Há vários  modos  de comunicar-se, o mais comum  é a comunicação verbal.  A mesma linguagem deve ser usada.   Na comunicação deve-se levar em conta o tom de voz.  A compreensão da mensagem pode ficar mais difícil se  falar alto demais ou baixo demais, devagar ou depressa.  O timbre da voz também vai influenciar quando a mensagem for dada.

 

Na comunicação podem  existir barreiras, por exemplo, se você fala com alguém que não está prestando atenção, ou se  uma pergunta for  feita e da qual não se tenha a resposta, não existe comunicação.  A comunicação acontece através do diálogo, para isso a  linguagem usada deve ser a mesma:  Jesus falou de peixe aos seus discípulos pescadores; falou de água com a mulher samaritana; de abrir olhos aos cegos, de cura aos leprosos, etc.  Aquele que fala é o emissor da mensagem, ele tem que saber transmitir; a mensagem precisa ser clara e objetiva para que o receptor a receba  e possa responder.

 

A comunicação não é uma estrada de mão única, mas de mão dupla.  Em contato com as pessoas os canais devem estar abertos para  dar e receber as mensagens – é o diálogo: um fala e o outro responde.

 

Para comunicar-se bem deve-se tomar cuidado para falar à pessoa certa  de forma direta, nada de indiretas.  É na participação efetiva, na troca que as dúvidas são tiradas e a comunicação melhorada. Muito importante na  comunicação é saber ouvir. Muitas vezes as comunicações não são efetivas porque a pessoa para quem as comunicações foram dirigidas  não está atenta ao que foi dito, assim é impossível comunicar…

 

O quarto aspecto a ser abordado nos relacionamentos refere-se à percepção que você tem de si mesmo e a percepção que a outra pessoa tem de você A PERCEPÇÃO  é um fator básico nas relações interpessoais.

 

A percepção é um fenômeno psicológico, portanto, subjetivo; difere da  SENSAÇÃO, que é um fenômeno fisiológico.  A picada de um inseto na mão da pessoa provoca a sensação de dor.  O estímulo doloroso vai até ao córtex cerebral e lá a sensação é percebida e você retira a mão rapidamente ou devagar, conforme o estímulo recebido, ou a dor que sentiu.

 

As pessoas percebem os estímulos de forma diferente.  Como no caso mencionado do acidente na rua.  Todos nascemos com as estruturas perceptivas preparadas para a vida.  Estas estruturas  se solidificam pelas experiências vividas.   Se você estiver numa sala no segundo andar de um edifício olhando para a janela,  e de repente aparecer uma cabeça, primeiro você vê o cabelo, a testa, os olhos, o nariz, a boca e o pescoço, e de repente não aparece o corpo. Você leva um tremendo susto, porque você espera que abaixo do pescoço venha um corpo; você aprendeu na sua experiência de vida;  Quando formamos estas estruturas pela aprendizagem elas se tornam fixas e fortes para toda a vida.  Pessoas amargas, negativistas, pessimistas, etc., se tornaram assim devido às experiências ruins que tiveram desde a infância; essas pessoas tendem a ver sempre o lado  ruim das coisas.  No entanto, as pessoas que tiveram boas experiências de vida, geralmente são otimistas, felizes e tendem a ver o lado bom e positivo da vida, elas encaram o mundo de forma mais positiva.

 

Dizem que os olhos são as janelas da alma.  Elas podem estar abertas ou fechadas, alegres ou tristes, boas ou más, de acordo com o que  cada um tem no seu íntimo.  Aquilo que o homem traz dentro de si, ele projeta no mundo fora dele.  Em Provérbios 33:7  aprendemos que o “homem é aquilo que ele pensa” e em Lucas 6:45 lemos: O  homem bom do bom tesouro do seu coração tira coisas boas…” e em Mateus 6:22 e 23 lemos: “Se os teus olhos forem bons todo o teu corpo terá luz, porém se os teu olhos forem maus todo o teu corpo será tenebroso…”

 

As estruturas perceptivas são fixadas pelas experiências e os condicionamentos são persistentes.  Porém, como o condicionamentos foram aprendidos, eles podem também ser desaprendidos.  Pessoas rígidas nos seus pontos de vista precisam aprender a ser mais flexíveis.  É difícil mudar comportamentos antigos  e para  modificar esses comportamentos é preciso que a pessoa  queira mudar.

 

Nos relacionamentos quando temos uma opinião errada sobre o outro, devemos observar se as coisas são mesmo assim, e geralmente descobrimos que nossas “impressões” não foram corretas  na sua formação e às vezes, até exageradas!  Por isso temos oportunidade de RE PENSAR e mudar a percepção antiga, reestruturando, assim, a maneira de perceber  o que vai ajudar muito nos relacionamentos.

 

Para que haja uma REESTRUTURAÇÃO DA PERCEPÇÃO  é necessário que você se coloque no lugar do outro para perceber o que realmente está ocorrendo.  Será que você pensa de si mesmo o que o outro pensa?  O outro o vê como você se vê?  Essa é uma questão para pensar e refletir.

 

Uma escola psicológica chamada gestaltismo nos ensina que o homem só vê aquilo que quer ver.  Por que não nos esforçamos para ver mais as qualidades nos outros do que os defeitos?  É um bom exercício para começar os relacionamentos

 

Para concluir aprendemos que para  melhorar os nossos relacionamentos precisamos ACEITAR AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS,  reconhecendo que não existe ninguém igual a mim, e que cada um tem a sua individualidade que deverá ser aceita pelos demais; também aprendemos que o AUTOCONHECIMENTO faz parte do bom viver para um melhor relacionamento.  É importante também a COMUNICAÇÃO, pois não se pode viver num meio em que não haja comunicação, e finalmente, podemos ver que para CONVIVER bem é necessário que haja  uma linguagem comum, em que  o comunicador transmita a mensagem a alguém que esteja pronto a ouvir, compreender e responder ao seu interlocutor, pois é através do diálogo que os conflitos são resolvidos e a  convivência é mantida.

 

Para que o relacionamento inter pessoal  seja satisfatório existe um outro ponto que não deve ser esquecido – A REESTRUTURAÇÃO DA PERCEPÇÃO.  Isto significa que é preciso colocar-se no lugar do outro para ver qual o ponto de vista dele.  Analisar a situação, ver a diferença entre as percepções e chegar a um ponto comum em que ambos estejam em concordância, aí poderá haver  uma

reestruturação na maneira de perceber e o relacionamento se tornará mais efetivo.

 

É sábio o ensino de Provérbios 22:6 quando diz, “ensina a criança o caminho em que deve andar e até quando envelhecer não se desviará dele”.  É uma lição de psicologia comportamental.  Só se deve ensinar à criança aquilo que ela deve aprender, para que no futuro ela  não tenha que fazer mudanças estruturais nas suas formas de perceber. Temos dificuldades para mudar comportamentos nossos e também das crianças, mas não é impossível.  Tudo o que é aprendido pode ser desaprendido e a Bíblia nos ensina  em Filipenses 4: 13: “Posso todas as coisas nAquêle que me fortalece”.

 

 

BIBLIOGRAFIA

Carvalho, Irene Mello – Introdução à psicologia das relações humanas.  6ª. Ed. FGV

Cohen, John – Introdução à psicologia – Ed. Atlas, 1975

Penna, Antonio Gomes – Comunicação e linguagem – Ed. Fundo de Cultura, 1970

Weil, Pierre –  Relações humanas na família e no trabalho.Ed. Vozes,, 26ª. Edição.

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