20/09/2016 0 Comments AUTHOR: Ilma Vieira Silva CATEGORIES: Mulher Tags:

UM DIÁRIO INACABADO

5 De Outubro: Hoje começou minha vida. Meus pais ainda não sabem.

Sou menor que a semente de uma maçã, mas já sou eu.

E, embora ainda não esteja formada, serei menina. Terei

cabelos louros e olhos azuis, e sei que vou gostar de

flores.

19 De Outubro: Já cresci um pouquinho, mas ainda sou demasiado

pequena para fazer qualquer coisa sozinha. Mamãe

faz tudo por mim. E o engraçado é que ela ainda não

sabe que me está carregando bem aqui em baixo do

seu coração. E alimentando com seu próprio sangue.

23 De Outubro: Minha boca está começando a aparecer. Imagine só.

Daqui a um ano, estarei rindo. Mais tarde saberei falar.

Sei qual será minha primeira palavra: mamãe. Quem

disse que ainda não sou uma pessoa de verdade? Sou,

sim, assim como a menor migalha de pão é pão de

verdade.

27 De Outubro: Hoje meu coração começou a bater por si. Daqui por

diante ele baterá suavemente o resto de minha vida.

sem nuca parar para descansar. Depois, após muitos

anos, ele se cansará, e vai parar, e eu morrerei. Mas,

agora, eu não estou terminando, e sim começando.

2 de Novembro: Todos os dias cresço um pouco. Meus braços e minhas

pernas estão começando a tomar forma. Mas terei de

esperar muito tempo, até que minhas perninhas me

levem correndo para os braços de minha mãe, e até

que meus  braços possam abraçar meu pai.

12 De Novembro: Agora começam a formar-se dedos pequeninos nas

minhas mãos. É estranho como são pequenos. Mas

como serão maravilhosos! Vão agradar cachorrinhos,

jogar bola, apanhar uma flor, tocar outra mão. Meus

dedos! Algum dia poderão tocar um violino ou pintar

um quadro.

20 De Novembro: hoje o médico disse à mamãe, pela primeira vez, que

eu estou vivendo aqui sob o coração dela. Você não

está feliz, mamãe? Daqui a pouco tempo estarei no

seu colo.

25 De Novembro: Minha mãe e meu pai ainda nem sabem que sou só

uma meninazinha. Talvez eles esperem um menino.

Ou talvez gêmeos. Mas vou fazer-lhes uma surpresa.

E quero que me chamem Catarina, como mamãe.

10 de dezembro: Meu rosto está completamente formado. Espero que

venha a ser como o de mamãe.

13 De dezembro: Agora estou quase podendo enxergar, mas ainda está

tudo escuro em volta de mim. Daqui a pouco, porém,

meus olhos se abrirão para um mundo de sol e de

flores e de criancinhas. Nunca vi o mar, nem as monta-

nhas, nem um arco-íris tampouco. Como serão? Como

é você, mamãe?

24 De Dezembro: Mamãe, estou ouvindo seu coração bater. Será que

você ouve a batidinha leve do meu? É tão regular –

tup,  tup, tup, tup. Você vai ter uma filhinha sadia,

mamãe. Sei que alguns bebês tem dificuldade para

entrar no mundo, mas existem médicos bonzinhos

que ajudam as mães e os bebês. Também sei que

algumas mães não querem seus bebês. Mas eu mal

posso esperar para estar no seu colo, tocar seu rosto,

olhar seus olhos. Você está esperando por mim, assim

como eu estou esperando por você, não está?

28 De Dezembro: Mamãe, por que você deixou que eles parassem a

minha vida? Nós seríamos tão felizes juntas!

Nota do Redator: Esta história é tirada de um álbum da estrela de cinema e TV, Loretta Young. Originalmente escrita em alemão, por H. Schwab, apareceu na revista Sodalis numa versão polonesa, da qual foi feita esta trad. –Seleções de fev. / 1996. Pg.51

 

 

 

 

 

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